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Holanda vai usar inteligência artificial para detectar drogas sintéticas em correspondências

Holanda vai usar inteligência artificial para detectar drogas sintéticas em correspondências

Além de drogas, software pode detectar outros objetos ilegais e perigosos, como armas e explosivos

por Soraia Alves

A partir de janeiro de 2019, a polícia holandesa, o Instituto Holandês de Tecnologia, Proteção e Segurança (DITTS) e o serviço postal e de e-commerce PostNL unirão forças para testar um scanner que usa inteligência artificial para detectar a presença de drogas sintéticas em correspondências do país.

A máquina executa um software que além das drogas pode detectar outros objetos ilegais, como armas e explosivos. O projeto, porém, prevê que pelos primeiros três meses o equipamento será usado apenas com foco em drogas sintéticas, como ecstasy e LSD.

Segundo Jean-Paul Kuijpers, ex-policial que se tornou empresário e está ajudando no desenvolvimento da nova ferramenta, essas drogas são enviadas em muitas formas diferentes. Com isso, o algoritmo da máquina terá que procurar por diferentes características identificáveis, como peso e densidade.

Kuijpers acredita que a máquina será eficaz para encontrar diversas mercadorias ilegais, especialmente após alguns meses de “treinamento” do algoritmo. Ainda segundo ele, o grande desafio do projeto é não alterar o tempo de entrega das mercadorias aos clientes.

Eficácia do equipamento

Embora o equipamento possa deixar o processo mais eficiente em combinação com a IA, sua precisão ainda é limitada. Por isso mesmo algumas startups do país, como a Dynaxion, já analisam outra opção que usa ativação de nêutrons para detectar melhor as substâncias ilegais.

Esta tecnologia utiliza uma alta energia de partículas de nêutron, que se encontram com outros elementos como oxigênio, nitrogênio e carbono para refletir padrões específicos de radiação gama. Ao analisar esses padrões de radiação e combiná-los com perfis existentes, os detectores podem identificar objetos específicos, como drogas ou explosivos.

De acordo com Kuijpers, combinar todas essas tecnologias diferentes é o ideal para ter um grande impacto no apreendimento de drogas enviadas por correio.

Esse nível de precisão também é necessário para contornar a questão de sigilo de correspondência, umas vez que as correspondências seladas só podem ser abertas com o consentimento de um promotor público especial, e somente quando houver uma suspeita bem fundamentada.

A Holanda é um dos maiores produtores de drogas sintéticas do mundo. Em 2017, estima-se que o tráfico desse tipo de droga gerou uma receita de aproximadamente 18,9 bilhões de euros.

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