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“Os cinemas desconectaram as pessoas dos filmes” afirma CCO da Netflix

“Os cinemas desconectaram as pessoas dos filmes” afirma CCO da Netflix

Ted Sarandos reafirmou poder do serviço de streaming, mas mantém declaração de que está tentando negociar com o circuito exibidor de cinema

por Pedro Strazza

A briga entre a Netflix e as redes de cinema não parece que vai acabar tão cedo no noticiário. O capítulo mais recente desta treta homérica envolvendo o futuro da distribuição de filmes foi protagonizado por ninguém mais que Ted Sarandos, o atual chefe de conteúdo do serviço de streaming que na Conferência de Comunicação da UBS Global Media fez declarações ferozes contra o circuito tradicional, acusando-o de afastar as pessoas da experiência cinematográfica.

“Eles [os cinemas] desconectaram as pessoas dos filmes, de uma forma. Eu não acredito que seja muito amigável ao consumidor que quem não viva perto de um cinema tenha que esperar seis ou oito meses para ver um filme” afirmou o executivo no evento realizado em Nova York, se referindo à janela de exibição exigida pelas grandes redes entre a estreia no circuito e o lançamento no streaming para que uma produção seja posta em suas salas. “Eu não discordo que ir ao cinema para ver um filme seja uma grande experiência. Eu não penso que emocionalmente ela seja uma experiência diferente da de ver um filme na Netflix. É uma experiência física diferente com certeza” ele continuou, de acordo com o Deadline.

O desconforto de Sarandos é consequência, claro, do interesse cada vez maior da empresa em ser parte integrante do circuito mainstream cinematográfico, um desejo que em tempos recentes fez a Netflix começar a focar seus gastos gigantescos em conteúdo original em produções cinematográficas de prestígio e à altura da temporada de premiações como “Roma” e “A Balada de Buster Scruggs”. A medida, claro, envolve a vontade do serviço (e dos realizadores por trás dos projetos) em exibir suas produções na telona dos cinemas antes de lançá-los no streaming, mas a resistência da Netflix em “seguir as regras” das redes vem gerando brigas intensas – o longa de Alfonso Cuarón, por exemplo, não será exibido em nenhum cinema da celebrada Alamo Drafthouse porque a gigante do streaming exigiu que a produção ficasse em cartaz nas principais salas da cadeia durante todo o concorrido mês de dezembro.

Embora esteja irritado com a situação, o CCO da empresa prossegue dizendo que a plataforma está “tentando encontrar um meio termo” com o circuito exibidor para passar os seus filmes, que incluem além do “Roma” o vindouro “Bird Box” que é estrelado por Sandra Bullock. Seu argumento central, entretanto, é de que o público da Netflix e o dos cinemas não são “mutualmente exclusivos”, já que ele considera que “provavelmente 80% das pessoas que vão aos cinemas também são assinantes” do serviço.

“É um jeito de dizer ‘Eu quero que meu filme seja parte da cultura’. Eu quero que as pessoas falem sobre o meu filme na fila do Starbucks” declara o executivo, que também diz que o “zeitgeist” gerado pela Netflix pode alcançar o do cinema, a exemplo do recente “Crônicas de Natal” que segundo ele trouxe o “maior feedback” da carreira de Kurt Russell em suas seis décadas de carreira, de acordo com uma conversa que o ator teve com Sarandos – o CCO disse que só nos primeiros sete dias o longa foi visto mais de 20 milhões de vezes pelos assinantes. “Oitenta milhões de pessoas assistiram um ou mais filmes nossos durante os meses de verão. Ser capaz de oferecer este tipo de audiência coletiva e de chegar a isso de uma forma grandiosa nesta escala é o que nos diferencia do resto” ele finalizou no evento.

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