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Com “Shazam!” e “Creed II”, Warner Bros. joga no seguro em seus painéis na CCXP

Apresentação do estúdio manteve a tendência da marca em não arriscar e fazer o arroz e feijão básico do evento

por Pedro Strazza

A posição da Warner Bros. dentro da Comic Con Experience é um tanto peculiar. Desde o primeiro ano investindo de forma pesada em seu estande, o estúdio mantém uma estratégia para seus eventos dentro do auditório Cinemark que escapa dos moldes enquadrados pela concorrência, quase sempre preferindo apresentações que servem como carrossel rápido e superficial sobre seus lançamentos na mesma medida em que investe no formato de premieres. Enquanto tantos outras empresas buscam a seu jeito encontrar novidades que renovem o interesse por seus painéis, a Warner manteve desde 2014 seu modo de operação intacto, expandindo-o apenas para acompanhar o crescimento exponencial da feira.

No ano passado, entretanto, o estúdio acabou ficando abaixo do esperado em sua meta para a CCXP quando acabou largando mão de trazer materiais inéditos para manter o interesse total em seus convidados, que incluíam entre outros a atriz Alicia Vikander que era o grande nome presente no São Paulo Expo naqueles dias. A ideia não agradou tanto: a exibição de trailers e imagens já divulgadas nas redes sociais contribuíram para agregar ao painel um tom de mofo palpável e desagradável. Era necessário promover uma volta ao bom caminho.

Para isso, a Warner retornou ao auditório Cinemark em 2018 disposto a repetir o arroz e feijão com um caldo mais grosso. Com dois filmes – “Aquaman” na sexta, “Creed II” no domingo – na programação da Comic Con, o estúdio repetiu o esquema de uma apresentação “à portas fechadas” para seu público com um grupo maior de convidados e filmes com conteúdos “exclusivos”, mas mantendo sua ideia de uma exibição que prezava acima de tudo pelo fácil. Em um ano onde grande parte dos estúdios mostrou algum interesse de trazer inovações a suas apresentações e estandes no evento, a Warner Bros. preferiu se manter no seguro, fazendo uma dupla de painéis de via mais conservadora aos padrões com o objetivo de reafirmar seu lugar de direito no começo do último dia de feira.

Um ringue de camaradagem

Neste sentido, a ideia foi se manter em campo conhecido e essencial aos fãs, entregando aquilo que eles queriam ao invés de tentar premiá-los com algo diferente. O início da apresentação, por exemplo, foi dedicado ao “Creed II” que mais tarde seria exibido no espaço: em poucos minutos, os atores Michael B. Jordan e Tessa Thompson (a “aparição surpresa” que já havia marcado presença no palco de forma mais explosiva no dia anterior) e o boxeador Florian Munteanu entraram no auditório para conversar sobre a continuação da sequência-reboot de “Rocky” e apresentar um making of que mostrava a preparação dos dois lutadores.

Foi uma introdução sólida o suficiente para fazer o público presente estourar em seguidas salvas de palmas, ainda mais porque o trio mostrava-se bastante entrosado  e descontraído para comentar sobre o longa – especialmente Jordan e Thompson, que mais brincaram entre si enquanto Munteanu ficava um pouco relegado à figura “deslumbrada”. “Não há palavras para descrever como foi trabalhar com Sylvester Stallone e Dolph Lungdren” afirmou o boxeador em determinado momento, que gostava de reiterar continuamente como a cena da luta central da produção havia sido uma filmagem intensa, como quando declarou que em determinado momento ele havia socado para valer o intérprete de Adonis Creed com um gancho de esquerda.

Tessa Thompson e Michael B. Jordan

Jordan, enquanto isso, gozava bastante da posição de estrela maior do momento e se divertia no painel; com um palito de dente na boca, o ator ria bastante e não hesitou em tecer elogios ao diretor Steven Caple Jr., que substitui Ryan Coogler na função nesta continuação. “Ele é um grande diretor. Ele sabe como contar histórias sobre os personagens e lhes dar momento para desenvolver seus dramas” o ator disse, seguido de uma afirmação de que o cineasta havia “honrado o primeiro ‘Creed'”.

A dinâmica maior do painel, porém, acontecia entre o ator principal do projeto e Thompson, que trocavam piadas e histórias do set com muita afinidade. Perto do final deste momento da apresentação, por exemplo, os dois começaram a tirar sarro um do outro sobre como Jordan teve dificuldade para manusear os bebês usados para viver os filhos do casal no filme (“Foi difícil porque eles não são meus bebês, são dos outros” exclamou o ator); antes, a dupla havia brincado bastante sobre a cena de sexo que aparece na continuação, criando uma sequência de piadas depois de recontar como a sequência não estava prevista no roteiro e eles a filmaram com uma extensão muito maior que a necessária.

Os intermediários

Com o fim da apresentação do elenco do segundo “Creed”, a Warner emendou uma pequena sequência de vídeos que desembocaria no segundo núcleo de atrações físicas do palco, a presença do ator Justice Smith de “Detetive Pikachu”. Os títulos foram variados e incluíram “A Maldição da Chorona”, que ganhou um clipe que é basicamente uma sequência de sustos nos corredores de uma ala hospitalar estrelada pela criatura do título; a segunda parte de “It: A Coisa”, que exibiu um making of apresentando os atores aos presentes o elenco de atores que viveriam as versões adultas (e suas encarnações dos papéis) das crianças do primeiro capítulo; e “Uma Aventura LEGO 2”, que ganhou um trailer estendido que apresentava a premissa da história com um pouco mais de detalhes e piadas.

O painel perdeu fôlego, porém, quando Smith entrou no palco. Sob os efeitos do balde de água fria gerado pela frustração dos falsos boatos da presença de Ryan Reynolds no evento após um post mal interpretado da conta do Instagram da Fox Film do Brasil, a Warner acabou vendo sua apresentação esbarrar em seu momento mais desengonçado por voltar a apostar com tudo no carisma de sua estrela que na exibição de conteúdo relacionado ao filme que ele estrela, principalmente porque o único conteúdo relacionado ao live-action de Pokémon exibido foi uma prévia dublada – uma situação que acrescentou um componente de desconforto ao momento dado a presença do ator ali.

Justice Smith

Smith por outro lado tentava compensar a situação flácida da apresentação com a simpatia de sua pessoa, ancorada na imagem do fã de “Pokémon” que acaba indo parar no centro dos projetos da franquia. O ator falou sobre como consumia tudo da marca na infância e sobre temas como seu pokémon favorito (Totodile, no caso) e a piada subentendida do “pika pika” no Brasil, mas também comentou brevemente sobre a relação de seu personagem no filme com o Pikachu investigador, algo que ele definiu como uma amizade de opostos: “Ele [o protagonista] é muito cínico, enquanto Pikachu é muito apaixonado sobre o que ele faz“.

Depois de Smith sair do palco, a seção “Warner estúdio” se encerrou com a exibição exclusiva de um novo trailer ainda inédito de “Godzilla II: Rei dos Monstros”. A prévia dá mais detalhes sobre a premissa da continuação, que deve acompanhar as forças militares dos Estados Unidos tentando tornar o Godzilla na linha de defesa da humanidade contra todos os outros monstros gigantescos – o que rende uma fala divertida do personagem de Ken Watanabe, que categoricamente coloca que “Vocês querem torná-lo seu bicho de estimação, mas nós seremos o bicho de estimação dele”. Com uns bons dois minutos de duração, o vídeo ainda mostra o lagarto gigantesco partindo para a briga contra os inimigos em diferentes situações, incluindo o plano final que é ele e o lendário King Ghidorah se aproximando a passos largos um do outro para começar uma grande luta.

O raio e a deusa

Como já é tradicional, o painel da Warner na CCXP terminou com uma seção inteira dedicada aos filmes vindouros baseados nos quadrinhos da DC Comics – ou pelo menos aqueles que se ligam ao “universo cinematográfico” proposto pelo estúdio, dado que o filme de origem do Coringa foi solenemente ignorado por todos os conteúdos apresentados no telão. De novo, o estúdio resolveu entregar os materiais exclusivos antes de introduzir o prato principal: as cenas pré-montadas de “Mulher-Maravilha 1984” lançadas na San Diego Comic-Con e um trailer estendido colado numa cena “inédita” de “Aquaman” foram disparados um seguido do outro para mergulhar a galera no delírio e preparar a entrada de Zachary Levy no palco.

Zachary Levy

Levy estava ali, claro, pra falar de “Shazam!”, próximo lançamento da divisão da DC Comics depois da estreia de “Aquaman” na próxima quinta (13). O ator se mostrava muito entusiasmado de estar ali, desde o princípio mantendo uma pose de criança entusiasmada que se encaixava com seu papel aos olhos do público – o super-herói do filme, afinal, é um menino que ganha a habilidade de virar um adulto com poderes mágicos ao gritar a palavra do título. “Conseguir interpretar este personagem é um sonho” afirmou Levy logo no começo do painel, “Eu espero que dê certo pois eu quero muito estar na Liga da Justiça”; essas falas obviamente já fizeram o público ir à loucura.

O intérprete de Billy Batson ficou muito tempo de sua apresentação neste tom de exposição de suas ambições com o filme e sua relação com o universo de quadrinhos da DC, aproveitando para pulverizar algumas micro-apresentações de seu personagem ao público eventual que não tivesse muito conhecimento sobre o herói. “Eu tenho a chance de virar a criança dentro de mim neste filme, e como eu sou uma grande criança adulta isso me ajuda muito” brincou o artista em certo ponto do painel, pouco antes de dizer que gostaria muito de ver Shazam encontrando outros vigilantes icônicos como o Superman e a Mulher-Maravilha (“Billy provavelmente ficaria num estado de transe e admiração por ela”). Sobraram elogios até para o colega de elenco Mark Strong, mesmo que essa parte não tenha sido tão aplaudida quanto o resto de sua entrevista.

Para fechar a apresentação, Levy introduziu ao público uma cena “bruta” do filme que serve como primeiro encontro de seu personagem com o vilão interpretado por Strong, que busca os poderes divinos do herói. A sequência é razoavelmente divertida, muito por conta da atitude “consciente” do protagonista com a situação (que é algo longe da sátira dos filmes de “Deadpool” e próximo da ingenuidade de uma criança envolvida no meio das histórias que lê habitualmente): depois de exclamar que Strong é “tipo um vilão”, rola umas cenas de luta em que Shazam apela para golpes baixos de infância como um “dick punch” até que o antagonista cansa da situação e leva a briga aos céus; lá, o herói precisa descobrir com urgência como fazer para voar, algo que quando consegue ele comemora com um “Eu consigo voar!”.

Ao fim do clipe, o apresentador chamou todos os artistas convidados pelo estúdio para uma foto com a plateia do auditório, liberando o público presente para tirar seus celulares guardados em saquinhos no início do dia para fotografar e filmar como quisesse. Foi um ato que por mais simpático que seja deixou claro o nível de controle da operação que a Warner mantém e deve manter em seus painéis na CCXP para os próximos anos: seguro e preventivo contra qualquer tipo de risco, incluindo os que podem eventualmente se tornarem bons.

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