Cientistas atestam o óbvio: James Bond tem sérios problemas com o álcool

Pesquisa australiana garante que quantidade de álcool ingerida pelo agente em alguns filmes poderia ser fatal a determinadas pessoas

por Pedro Strazza

“Shaken, not stirred”. Esta fala, que no bom português significa “batido, não mexido”, acompanha a franquia e o personagem James Bond como um mantra, desde suas origens no cinema com “007 Contra o Satânico Dr. No” até a última encarnação do icônico espião vivida por Daniel Craig. Como os vilões extravagantes, os carros tunados, os aparatos malucos e o seu charme irresistível, o agente do serviço secreto britânico sempre manteve a taça de martini à disposição para as melhores e piores situações.

A questão é que, bem, aparentemente os drinques mais prejudiquem a condição de saúde do herói que o ajudem na hora de entrosar nas festas em que se infiltra. De acordo com um estudo divulgado recentemente pelo Medical Journal of Australia, a quantidade de bebidas alcoólicas ingeridas pelo espião inglês ao longo das últimas seis décadas e de seus 24 filmes o coloca em “um distúrbio severo de uso de álcool” e torna-o dependente preocupante do líquido.

Em resumo, James Bond é um belo de um alcoólatra.

Escrito pelos pesquisadores Nick Wilson, Anne Tucker, Deborah Heath e Peter Scarborough, a publicação intitulada “Licence to swill: James Bond’s drinking over six decades” diz que nas duas dúzias de aventuras vividas pelo personagem ele bebeu cerca de 109 vezes, sendo que a vez que ele mais exagerou na bebida foi em “Quantum of Solace” quando chegou a virar seis Véspers e elevou o nível de álcool no sangue a uma taxa perigosa de 0,36 gramas por decilitro. Se isso não te choca, deveria: esta quantidade pode ser suficiente para algumas pessoas passaram por uma overdose fatal.

“Há evidências sólidas e consistentes de que James Bond tem um problema crônico de consumo de álcool na parte mais severa do espectro” conclui o estudo, que afirma que os hábitos do espião preenchem mais da metade dos critérios estipulados pelo sistema DSM-5 da American Psychiatric Association para classificar distúrbios do tipo. Segundo Wilson, o líder do grupo de cientistas envolvidos, um dos sintomas que melhor pode ser detectado no comportamento do personagem é o de “beber demais antes de brigar, dirigir veículos (incluindo perseguições), fazer apostas de altíssimo risco, fazer contato com animais perigosos, realizar performances atléticas e transar com inimigos”. “Ele [Bond] deveria procurar ajuda profissional e tentar encontrar outras estratégias para lidar com o estresse de sua profissão” termina o documento.

Mas antes que venha alguém irritado com aquele velho discurso babaca do “mundo está chato demais”, vale colocar que a pesquisa foi feita em completo tom de brincadeira, tendo sido usada pela equipe para vencer uma competição de Natal realizada pela publicação. Ao Washington Post, Wilson declara que os filmes da franquia 007 são ótimos para “estudar tendências no comportamento como fumar e beber álcool”, além de muito divertidos dado o nível do “ridículo de algumas das ações de Bond após beber”.

O 007 dos cinemas, porém, está em uma posição ótima comparada à versão dos livros, onde ele já chegou a beber o nível irreal de 50 unidades de álcool em um mesmo dia – uma quantidade que é matadora a qualquer pessoa, segundo o grupo de pesquisa.

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