Relatório mostra que Rússia usou mais o Instagram que o Facebook para manipular eleições americanas de 2016

Plataforma teve 187 milhões de interações com o conteúdos manipulados, em comparação com os meros 77 milhões no Facebook

por Soraia Alves

O Instagram pode ter desempenhado um papel muito maior nas eleições americanas de 2016 do que o Facebook, até agora tido como o grande violão da história

Segundo um relatório encomendado pelo Comitê de Inteligência do Senado, a manipulação russa dos eleitores americanos através da Russian Internet Research Agency (IRA), “fábrica” de trolls que buscou dividir os eleitores com informações falsas e meme inúteis em torno das eleições, teve sua grande frente e operação no Instagram, “algo que os executivos do Facebook parecem ter evitado mencionar em depoimentos no Congresso”, diz o relatório.

Foram 187 milhões de interações com o conteúdos manipulados no Instagram, em comparação com 77 milhões no Facebook e 73 milhões no Twitter, de acordo com um conjunto de dados entre 2015 e 2018, analisados ​​pela New Knowledge, pela Columbia University e pela Canfield Research.

O Facebook afirmou em comunicado que forneceu milhares materiais aos legisladores e fez progresso na prevenção de interferências durante as eleições. Já o Twitter afirmou que também fez avanços significativos no combate à manipulação de seus serviços e apontou para a divulgação de dados adicionais em outubro para permitir mais pesquisas e investigações.

Durante os depoimentos de Mark Zuckerberg ao Congresso dos Estados Unidos, o Instagram foi mencionado apenas de forma passageira, sem uma contagem de quantos americanos foram atingidos pelo conteúdo russo, por exemplo. A rede social tem, até agora, uma certa vantagem em reação aos assuntos de manipulação de conteúdo, justamente por não ter um botão de “compartilhamento”, o que ajuda no viral.

Ainda assim, de acordo com os pesquisadores, cerca de 40% das contas criadas pela IRA alcançaram mais de 10 mil seguidores. A maior conta, @blackstagram__, atraiu mais de 300 mil seguidores.

O conteúdo do Facebook incentivou as pessoas a seguirem essas contas no Instagram, o que reforçou as mensagens que o IRA estava divulgando em outras redes, incluindo o YouTube e o Twitter. As contas do Instagram para determinados grupos de interesse mencionavam umas às outras e, às vezes, contas legítimas, dirigidas por americanos de verdade, para melhorar o perfil delas.

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