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Até aplicativos de previsão do tempo estão coletando mais dados dos usuários do que deveriam

Até aplicativos de previsão do tempo estão coletando mais dados dos usuários do que deveriam

Além de pedir informações do nível do IMEI, app Weather Forecast também vinha inscrevendo seus usuários em serviços de realidade virtual sem pedir a devida autorização

por Pedro Strazza

Os tempos pós-Cambridge Analytica seguem difíceis. Desde que a divulgação do compartilhamento de dados de milhões de usuários do Facebook sem a autorização dos próprios ter mergulhado a empresa de Mark Zuckerberg em uma verdadeira espiral de desastres, o noticiário parece ter se habituado a compartilhar escândalos de quebra de privacidade e de coletas indevidas de informações de pessoas na rede, uma prática que aparentemente não para de se mostrar cada vez mais comum no setor de tecnologia. E isso inclui até mesmo os serviços mais inocentes, como meros aplicativos de previsão do tempo.

Isso porque uma reportagem do The Wall Street Journal publicada ontem (3) relata que o Weather Forecast – World Weather Accurate Radar, um dos apps mais populares da categoria no Android, vinha nos últimos meses fazendo uma coleta de informações bem mais extensa que a necessária de seus usuários. Levantada a princípio pela firma de segurança Upstream Systems, a situação incluía até o pedido do endereço de e-mail e do número do IMEI (Identificação Internacional de Equipamento Móvel, em outras palavras a identidade do seu telefone) das pessoas que baixavam o app, que é gerido por uma fabricante chinesa intitulada TCL Communication Technology Holdings Ltd.

Para piorar, o Weather Forecast pelo visto também vem inscrevendo seus usuários em serviços de realidade virtual sem pedir nenhum consentimento. Segundo o jornal, a investigação da Upstream mostra que mais de cem mil indivíduos quase foram obrigados pela plataforma a pagar mais de 1,5 milhão de dólares ao serem inscritos em programas do tipo localizados em países como a Malásia, a Nigéria e até aqui no Brasil. Estas tentativas, porém, foram interrompidas após a TCL atualizar o programa depois de ser contatado pela firma de segurança e o jornal sobre o assunto.

A coleta indevida de dados, porém, ainda é a parte mais preocupante do negócio, até porque ele se mantém ativo e não muito claro em seus propósitos. Por ser um número que muda de posse a cada momento que o aparelho é passado para outra pessoa e que pode ser linkado a diversos usuários, o IMEI é em teoria um dado inútil ao julgamento normal, o que só deixa mais esquisita a necessidade do app de pedir o número.

Por incrível que pareça, o Weather Forecast não é o primeiro aplicativo de previsão do tempo a ganhar uma acusação de quebra de privacidade. No ano passado, foi revelado que o AccuWeather acompanhava a localização dos usuários mesmo depois deles declararem de forma explícita que não queria compartilhar esta informação à plataforma. Na época, o app disse que a coleta indevida era resultado de um erro de configuração do serviço.

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