Graças a inteligência artificial, Salvador Dalí volta à vida em museu na Flórida

Tudo bem que é só um deepfake, mas a recriação digital do pintor ainda assim é impressionante

por Pedro Strazza

Salvador Dalí deixou o mundo dos vivos há pouco mais de 30 anos, mas sua pessoa continua viva entre as pessoas e a imprensa. Não, não é só a sua obra e legado que continua a encantar milhões ao redor do mundo; sua figura, em si, parece voltar de tempos em tempos para novas e cada vez mais surreais histórias, bem no jeitinho de suas pinturas. Só por aqui, no B9, a gente já noticiou o artista catalão quando, por conta de uma disputa jurídica, foi descoberto que seu bigode era imortal.

Agora, porém, o pintor deve ter uma presença “física” mais garantida, graças aos esforços do The Dali Museum em recriá-lo digitalmente para fazer com que ele mesmo guie os visitantes por seus mundo fantásticos. Em parceria com o Goodby, Silverstein & Partners (GSP) e pelo uso da tecnologia de inteligência artifical, a instituição criou a experiência “Dali Lives”, onde a recriação do artista pela IA conduz o públicos pelas pinturas expostas no museu.

E ainda que só vá ser aberta em abril, a atração já ganhou um “trailer” no canal oficial da entidade, que dá um gostinho do belo trabalho feito para reconstituir Dalí. Confira abaixo.

De acordo com o Dali Museum, a versão virtual do pintor que dá nome ao edifício irá cumprimentar os visitantes na chegada e saída à partir de uma tela que permita sua materialização em tamanho real, enquanto no interior da exposição ele terá sua presença distribuída pelo hall para “compartilhar” histórias de sua arte e algumas de suas “reflexões” sobre os eventos atuais – talvez não seja necessário colocar isso, mas é claro que temas polêmicos da contemporaneidade e que mexam de alguma forma com o legado de Dalí estão muito provavelmente fora de questão nestas interações.

“Dalí foi profético em várias formas e entendia sua importância histórica. Ele escreveu ‘Se algum dia eu morrer, mesmo que isso seja improvável, eu espero que as pessoas nos cafés digam “Dali morreu, mas não inteiramente”‘.” declara o diretor executivo do museu, Hank Hine, sobre a decisão de “reviver” o pintor; “Esta tecnologia permite que os visitantes experimentem sua personalidade maior que a vida em adição ao contato com a coleção de obras sem paralelos que possuímos”.

Mas como diabos conseguiram ressuscitar digitalmente Dalí, se ele está morto há três décadas já? Segundo a GSP, o truque foi apelar à polêmica tecnologia do deepfake numa aplicação mais profunda: a equipe de pesquisa resgatou milhões de frames das entrevistas concedidas pelo pintor ao longo da vida para criar a máscara digital que seria posta no rosto de um ator, que assim conseguiu dar vida a ele sem precisar recorrer a nenhuma expressão física. A voz, inclusive, vem de um ator diferente do responsável pelo corpo, um cidadão de Barcelona cujo sotaque desse veracidade ao tom do som emitido pelo “boneco”.

Por mais incrível que seja o “Dali Lives”, esta não é a primeira incursão da parceria entre a GSP e o The Dali Museum por tecnologias interativas que acendam o interesse do público pelo museu. As duas partes recentemente trabalharam juntas numa experiência em realidade virtual que mergulhasse o espectador dentro das artes do pintor e um filtro que permitia que as selfies dos visitantes se tornasse parte da obra “Gala Contemplating the Mediterranean Sea”.

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