Além de Barbie e Hot Wheels, Mattel quer fazer um filme de Uno (sim, o jogo)

Produções inspiradas no View-Master e na Magic 8 Ball também estão nos planos da empresa, que busca o domínio do mercado de brinquedos sobre a Hasbro

por Pedro Strazza

Na briga pela hegemonia do bastante lucrativo mercado de brinquedos, a Hasbro e a Mattel tem travado um duelo dos mais rigorosos. Só no ano passado, as duas acumularam cada uma em torno de 4,5 bilhões de dólares em lucros, com a primeira ficando à frente da segunda em renda por “meros” 100 milhões. O segredo da Hasbro para se manter na liderança vem em parte do cinema, que potencializou e fortaleceu as vendas da empresa com o sucesso de filmes baseados em linhas famosas da companhia como G.I. Joe e Transformers – uma estratégia que até inspirou a concorrente LEGO a se arriscar (com sucesso) na área.

A Mattel, claro, não quer ficar para trás, já tendo anunciado há alguns meses o desenvolvimento não só de uma nova versão de “Mestres do Universo” na Sony mas também de produções cinematográficas sobre a Barbie e Hot Wheels – suas duas marcas mais populares – com a Warner Bros.. Mas isso, pelo visto, é só o começo da Mattel Film, que ainda tem planos de levar às telonas histórias baseadas em jogos e brinquedos como a Magic 8 Ball, o View-Master e até mesmo o baralho de Uno.

Estas informações foram confirmadas pela atual presidente da divisão de cinema da empresa, Robbie Brenner, em uma recém-lançada entrevista no Hollywood Reporter. Responsável pela bem sucedida campanha de indicação de “Clube de Compras Dallas” ao Oscar – que não só foi lembrado em 6 categorias como recebeu 3 estatuetas, incluindo as de Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante – Brenner foi anunciada na posição em setembro do ano passado e já foi responsável por colocar em movimento as produções de “Barbie” e “Hot Wheels”, até então inativos depois de décadas de negociações com diversos estúdios.

De acordo com Brenner, o plano com todas estas produções é incorporar algumas de suas estratégias no cenário independente à lógica dos grandes filmes de estúdio, mantendo em vista acima de tudo a qualidade das histórias que serão contadas à partir dos brinquedos da Mattel. Na visão da executiva, o sucesso de um filme passa por elementos como a história, a visão e os personagens, sobre “criar algo com um voz original e autêntica que as pessoas queiram ver”. Citando sucessos recentes como “Homem-Aranha no Aranhaverso”, “Pantera Negra” e “Green Book: O Guia”, ela ainda afirma que quer os diretores e roteiristas “mais interessantes” para cada marca, de forma que o resultado seja “uma produção incrivelmente original, dotada dos quatro quadrantes de público e que alcance a maior audiência possível”.

A presidente também confirma na entrevista que a Mattel já está em conversas com plataformas de streaming – incluindo a Netflix – afim de diversificar a distribuição dos projetos e que realizará salas de roteiristas para encontrar o tom certo para cada filme. Tudo em busca de algo que envolva boas histórias e espetáculo e longe daquilo que seja genérico, em suas palavras.

A Mattel ainda não confirmou nenhum nome criativo para qualquer uma de suas adaptações, sequer datas de lançamento.

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