SXSW 2019: Tendências do mundo digital, uma discussão sobre privilégio

Diretora da Fjord conversou com o público sobre como identificar as próximas tendências do mercado vai além do hype da novidade

por Marina Dolinsky / Senior Client Partner, Twitter

Nunca fui muito fã de palestras sobre tendências, mas não conseguia entender muito bem o porquê. Estando inserida na indústria de comunicação e tecnologia, sempre reconheci a importância de estar bem informada e à frente dos movimentos que impactam nosso mercado, mas algo sempre me incomodava pois não conseguia enxergar de forma clara o impacto daquilo tudo na vida da maioria das pessoas.

No último sábado (9), Tanarra Schneider, managing director da Fjord, finalmente jogou uma luz sobre o meu problema. Em sua palestra “Digital Trends and The Impact of Privilege”, ela compartilhou com o público tendências que permeiam o horizonte do mercado digital, mas tratou-as não com euforia em torno das “novidades” – que, muitas vezes, são apenas repetições de comportamentos humanos antigos embalados com um novo nome –  mas sim fazendo importantes contrapontos e propondo reflexões que não são fáceis de se fazer.

Segundo Schneider, que se diz cética e pragmática, as tendências não são um framework a ser seguido, e sim ferramentas que devem gerar questionamentos e reflexões sobre quais apostas as empresas farão e quais serão os seus impactos na sociedade em que estão inseridas. Ela alerta que na maioria das vezes inovações muito promissoras economicamente no curto prazo geram exaltação dos investidores e muita especulação, mas têm potencial para de fato impactar positivamente apenas menos de 1% da população.

Uma das discussões que a executiva usou como exemplo foi em torno do transporte individual. Patinetes e bicicletas invadiram as cidades e não mostram sinais de que vão embora tão cedo, mostrando que os movimentos em relação à diversificação do transporte e à mobilidade urbana são um fato. Tudo isso é extremamente importante e válido para o aumento da qualidade de vida nos grandes centros, mas gera questionamentos, por exemplo, sobre quantos milhões de dólares em infraestrutura estão sendo gastos em prol dos novos unicórnios do transporte que não têm sido investidos, por outro lado, na manutenção de vias e no transporte público, onde realmente se atende a maior parcela da população e a que mais necessita.

Como mulher negra, Schneider critica o quanto as decisões sobre a utilização dessas tendências aplicadas a produtos e serviços são tomadas em ambientes ainda muito pouco diversos. O resultado é uma experiência para o consumidor adequada a poucos, que não leva em consideração a acessibilidade de setores sub-representados na nossa sociedade.

> Confira a cobertura completa do B9 no SXSW 2019

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