Transmissão ao vivo de ataques a mesquitas da Nova Zelândia ressaltam dificuldade de controle nas plataformas

Ataque foi transmitido ao vivo no YouTube e no Facebook. Mesmo retirando o material original do ar, as redes sociais não dão conta do volume de novos conteúdos compartilhados pelos usuários

por Soraia Alves

Duas mesquitas da cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, sofreram ataques a tiros nesta sexta-feira (15/03), resultando em 49 mortos e mais de 20 feridos. Um dos ataques foi transmitido ao vivo pela internet, simultaneamente no YouTube e no Facebook.

Em entrevista ao jornal local NZ Herald, a diretora de política interna do Facebook para a Austrália e a Nova Zelândia, Mia Garlick, afirmou que os vídeos foram retirados do ar assim que a polícia do país avisou a empresa sobre o conteúdo transmitido: “A polícia da Nova Zelândia nos alertou sobre o vídeo logo após o início da transmissão e nós rapidamente removemos as contas tanto do Facebook quanto do Instagram do atirador”, conta.

Embora os vídeos originais tenham sido retirados do ar, outros tantos vídeos com cenas perturbadoras do ataque continuam a ser compartilhados nas redes sociais, e inexplicavelmente, transmitidos também por veículos de notícias – algo que acompanhamos de forma semelhante nesta semana no Brasil, com o ataque ocorrido na escola de Suzano.

Apenas digitando as palavras-chave referentes ao caso em qualquer buscador, é fácil encontrar diversos vídeos do atentado, principalmente no YouTube e no Twitter. Isso expõe, mais uma vez, a dificuldade que essas plataformas têm de controlar o conteúdo que é replicado nelas. Enquanto os usuários repassam vídeos e imagens com extrema rapidez, as redes sociais parecem “não dar conta” do volume desses materiais.

O Google já confirmou que está trabalhando para remover as imagens o mais rápido possível do YouTube, e está à disposição para colaborar com as autoridades: “Nossos corações estão com as vítimas desta tragédia terrível. Conteúdo chocante, violento e gráfico não tem lugar em nossas plataformas, e é removido assim que tomamos conhecimento disso. Como acontece com qualquer grande tragédia, trabalharemos cooperativamente com o autoridades”, disse um porta-voz da empresa.

O Twitter também confirmou que está trabalhando de forma proativa “para remover o conteúdo de vídeo do serviço”, e o Facebook reafirmou que está trabalhando junto às autoridades para remover o vídeo, não importa quantas vezes ele ressurja na plataforma. A empresa também garantiu que removerá qualquer tipo de elogio ou apoio ao crime e os atiradores “logo que estivermos cientes”. Nesse caso, a denúncia feita por usuários pode ajudar.

Segundo a polícia da Nova Zelândia, quatro pessoas foram presas, 3 homens e 1 mulher. De acordo com a primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, os detidos possuem pontos de vista extremista.

[Créditos foto: Mark Baker/AP]

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