China Hong Kong Cinema – Mar 2016
Imagem: Mandatory Credit: Photo by Jerome Favre/Epa/REX/Shutterstock (7929810a) Chairman and Chief Executive Officer of Warner Bros Kevin Tsujihara Speaks During the Inauguration of Flagship Entertainment During the Hong Kong International Film and Tv Market in Hong Kong China 16 March 2016 Warner Bros Has Entered Into a Joint Venture with Cmc to Form Flagship Entertainment to Develop and Produce a Slate of Chinese-language Films For Distribution in China and Around the World Via Warner Bros Network China Hong Kong China Hong Kong Cinema – Mar 2016

Em meio a escândalo sexual, Kevin Tsujihara deixa o cargo de CEO e presidente da Warner Bros.

Saída do executivo acontece quase um mês depois de seus poderes serem ampliados dentro da WarnerMedia

por Pedro Strazza

A Warner Bros. anunciou hoje (18) que Kevin Tsujihara está deixando a posição de presidente e CEO da empresa. Em comunicado oficial à imprensa, o CEO da WarnerMedia John Stankey escreve que é no “melhor interesse” do conglomerado, do estúdio, “dos nossos funcionários e de nossos parceiros” que o executivo saiu da companhia. Stankey, porém, não anunciou nenhum substituto para o cargo.

A saída de Tsujihara acontece quase duas semanas depois do The Hollywood Reporter publicar um artigo que detalhava várias trocas de mensagens entre o então presidente e a atriz Charlotte Kirk, com quem ele nutria um relacionamento amoroso. Pela investigação da revista, o caso levou Kirk a participar de dois filmes da Warner Bros. – “Como Ser Solteira” e “Oito Mulheres e Um Segredo” – sob ordens diretas de Tsujihara.

Ainda que o escândalo seja o grande responsável pela saída do executivo, um memorando enviado aos funcionários da Warner Bros. afirma que a decisão não partiu de ordens superiores mas do próprio Tsujihara. “Após refletir muito sobre como a maior atenção sobre ações anteriores minhas podem impactar o futuro desta empresa, eu decidi deixar a posição de presidente e CEO” escreve o executivo no comunicado interno, ao que acrescenta que sua “liderança contínua poderia ser uma distração ou um obstáculo para o sucesso progressivo” da Warner Bros.

A saída de Tsujihara acontece num momento um tanto inusitado dentro de sua carreira na Warner. Promovido ao cargo de presidente e CEO do estúdio após a saída de Jeff Bewkes em 2013, o executivo tinha acabado de ganhar maiores responsabilidades das mãos de Stankey em virtude do término da fusão da empresa com a AT&T. Além de supervisionar as produções da Warner Bros., Tsujihara ia supervisionar toda a nova divisão do conglomerado focado em produções para crianças e jovens adultos – que incluía os canais Cartoon Network, Adult Swim e Boomerang – e canais menores como a Otter Media e a Turner Classic Movies.

O movimento é impressionante também se considerar que foi nas mãos de Tsujihara que a Warner Bros. passou por um de seus momentos econômicos mais histriônicos de sua História recente. Vindo do comando da área de home entertainment e sem experiência no mercado de cinema, Tsujihara liderou o estúdio na tentativa fracassada de copiar o sucesso do Marvel Studios com os filmes da DC Comics – que foi do acerto com “Mulher-Maravilha” ao desastre financeiro com “Liga da Justiça” – e pela produção da franquia “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, que depois de um primeiro capítulo bem-sucedido registrou uma queda sensível nos índices de bilheteria com “Os Crimes de Grindelwald” no ano passado.

A liderança do executivo, porém, começava a mostrar sinais de correção de rumo em tempos recentes, especialmente depois do estúdio ter cortado laços em definitivo com a RatPac-Dune Entertainment de Brett Ratner e conseguir fazer de “Aquaman” um verdadeiro lançamento arrasa-quarteirão. Os excelentes retornos na TV, que sob a tutela de Peter Roth viu “The Big Bang Theory” se tornar a principal série da TV norte-americana e o the CW aumentar exponencialmente sua audiência, também fortaleceram a ideia de que Tsujihara talvez sobrevivesse ao escândalo midiático e continuasse no comando – o que só reforça como as dinâmicas empresariais de Hollywood podem ter mudado após todo o escândalo de Harvey Weinstein.

Com Tsujihara fora da Warner Bros., a dúvida que fica agora é se os seus planos futuros para o estúdio continuarão vigentes depois de seu substituto ser anunciado. Entre os planos até então divulgados pelo próprio executivo à imprensa, havia uma sequência de “Mad Max: Estrada da Fúria” e um reboot de “Matrix” estrelado por Michael B. Jordan sob fortes considerações internas.

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