Netflix pretende comprar cinema histórico de Los Angeles

Serviço de streaming estaria mirando a compra do Egyptian Theater, sede da primeira premiere de um filme na História de Hollywood e importante casa de divulgação e preservação do cinema nos EUA

por Pedro Strazza

Um tempo atrás, alguns meses antes de entrar na sua campanha publicitária para o Oscar mais cara (e vitoriosa) com “Roma”, a Netflix vinha tomando interesse em possuir sua própria rede de cinemas para impulsionar suas chances nas temporadas de premiações. Negociações chegaram a rolar com a Landmark Theaters (que depois seria item de interesse da Amazon), mas no fim o serviço de streaming de Reed Hastings acabou decidindo largar mão da ideia e investir dinheiro diretamente em suas produções e equipes de divulgação.

Um ano depois de toda esta história, a Netflix agora se vê de novo interessada às voltas com o mercado imobiliário e de salas de exibição, mas curiosamente com intenções um pouco diferentes das que tinha até algum tempo atrás. De acordo com o Deadline, a companhia estaria em discussões preliminares com a American Cinematheque para adquirir nada mais que o Egyptian Theatre, um dos cinemas mais antigos e tradicionais da Hollywood Boulevard em Los Angeles.

A ação não é pequena, especialmente se considerar o legado histórico que o estabelecimento representa em Hollywood. Construído nos anos 20, o Egyptian Theater foi o local da primeira premiere de um filme na região – o “Robin Hood” de Allan Dwan, no caso – e é hoje um local dedicado a exibições especiais, palestras e outros eventos de todo tipo dedicados à sétima arte. Numa comparação chula (e desconsiderando o caráter privado e público de cada instituição citada), a medida seria o equivalente no Brasil à empresa se tornar dona da Cinemateca Brasileira.

Para a Netflix, o desejo de ser dono do local passa longe de uma ambição de negócio e funciona mais como uma medida reconciliatória. Recém-saída de uma temporada de prêmios onde foi diversas vezes acusada de destruir a “experiência cinematográfica”, o serviço de streaming estaria buscando assumir a gerência do Egyptian para mostrar que se preocupa com a preservação da História da sétima arte, movendo fundos para a manutenção e promoção do cinema.

De acordo com fontes do Deadline, o negócio estaria sendo encarado pela Netflix e a American Cinematheque como uma parceria: enquanto a primeira ganha um local extra para promover novas exibições de seus filmes, a segunda continuaria a realizar suas sessões, palestras e festivais, sem qualquer interferência da empresa e com fundos extras para aumentar seus empreendimentos. A compra a princípio não deve interferir nos acordos de distribuição que a Netflix tem com outras redes de cinema.

A parte mais surpreendente, porém, é que o CCO da Netflix Ted Sarandos é hoje um dos membros da administração da American Cinematheque, e ele pelo visto não está contente com a aquisição. Fontes afirmam que o executivo teria votado contra a proposta de compra de sua firma, tendo sido voto vencido na abertura das negociações.

O acordo entre a Netflix e os donos do Egyptian Theater deve demorar, conforme a compra só poderá ser finalizada depois de todas as questões imobiliárias e envolvendo permissões jurídicas serem resolvidas pelas duas partes.

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