CEO da Disney critica discursos de ódio na internet: “Hitler amaria as redes sociais”

Bob Iger acredita que redes estão potencializando criação de grupos de ódio e não oferecem visões diferentes

por Matheus Fiore

Ao receber um prêmio humanitário durante o National Tribute Diner, roBob Iger, o CEO da Disney, aproveitou a posse do microfone para tecer duras críticas às redes sociais e os discursos de ódio que elas alimentam. Segundo a Variety, a crítica passou de um comentário ordinário e se tornou um pouco ríspida quanto Iger declarou que Adolf Hitler teria amado as redes sociais.

“Ódio e ressentimento estão nos arrastando de volta para o abismo. A apatia está crescendo. Nos últimos anos, temos sido duramente lembrados que o ódio se manifesta de diversas formas, se disfarçando até mesmo com roupagens mais socialmente aceitáveis”, disse Iger no evento; “[As redes sociais] estão consumindo o discurso do público e moldando nosso país e nossa cultura em algo irreconhecível para aqueles que ainda acreditam em civilidade, direitos humanos e decência básica”, completou.

Iger se mostrou muito severo à forma como as redes sociais dão voz a todo tipo de discurso, ainda acrescentando que acredita que hoje elas são grandes ferramentas de potencialização de ódio.

“Hitler teria amado as redes sociais. É a ferramenta de marketing mais poderosa que um extremista poderia sonhar, porque ela é, por design, um reflexo de um mundo muito limitado, que filtra tudo que desafia nossas crenças e constantemente valida nossas convicções e amplifica nossos medos.”

Bob Iger

Iger se refere diretamente à estrutura de algoritmos que norteia o que cada feed mostra para seu usuário. Muitas redes sociais, como o YouTube e o Facebook são criticadas por, de certa forma, alienarem seu público. Caso um usuário demonstre interesse em um conteúdo específico, a tendência é que seu feed seja preenchido com cada vez mais conteúdo parecido com aquele e que traga cada vez menos conteúdo diferente, o que, como Iger aponta, potencializa a alienação e fortalece a criação de grupos e nichos – como os grupos de ódio que surgiram nas redes sociais ao longo da década.

A declaração também é forte se considerar que até pouco tempo – mais exatamente meados de 2016 – a Disney tinha interesse no mercado de redes sociais, chegando até a fazer uma oferta pela compra do Twitter.

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