Disney ameaça deixar de filmar na Geórgia depois que estado proibiu o aborto

CEO da Disney afirma que muitos funcionários devem se negar a trabalhar no estado, e a empresa vai respeitar esse posicionamento

por Soraia Alves

A Disney é mais uma empresa de entretenimento a se manifestar sobre a nova lei antiaborto do estado da Geórgia, aprovada no início de maio pelo governador republicano Brian Kemp. Em entrevista à Reuters, o CEO da Disney, Bob Iger, disse que fica difícil para a empresa continuar filmando no estado após a aprovação de uma lei tão polêmica.

Ao ser questionado sobre o posicionamento da empresa em relação ao tema, Bob disse que muitos profissionais ligados à Disney não concordam com a nova lei do estado, e por isso podem se negar a trabalhar por lá: “E teremos que atender a esses pedidos”, disse.

Vale ressaltar que esses “funcionários da Disney” englobam diversos profissionais, incluindo atores, atrizes e diretores. Só para alguns exemplos, Alec Baldwin, Amy Schumer, Ben Stiller, Christina Applegate e Laverne Cox já se manifestaram publicamente contra a decisão do governador. Já a atriz e escritora Kristen Wiig confirmou que cancelou as filmagens de seu novo filme de comédia no estado.

Perder a Disney seria um grande problema para a economia da Geórgia. Há tempos o estado permite que diversos estúdios filmem em diferentes locais e oferece uma redução de até 30% nos impostos. Falando da Disney especificamente, grandes produções como “Pantera Negra”, “Capitão América: Guerra Civil” e “Vingadores: Guerra Infinita” tiveram parte das gravações feitas ali. Essas produções ajudaram a Geórgia a arrecadar perto de US$ 2,7 bilhões em 2017, de acordo com dados oficiais.

Apesar das declarações, o CEO deixou claro que nenhuma decisão ainda foi tomada: “Agora estamos observando com muito cuidado”.

A Disney não foi a primeira empresa a se manifestar sobre o assunto. Também nessa semana, o diretor de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, disse que a empresa está repensando “todo o investimento na Geórgia”, que incluem produções como “Ozark” e “Stranger Things”: “Temos muitas mulheres trabalhando em produções na Geórgia, cujos direitos, juntamente com milhões de outros, serão severamente restringidos por esta lei”, disse Ted Sarandos.

Sobre a lei antiaborto

No começo de maio, Brian Kemp, governador republicano da Geórgia, aprovou a chamada “lei do batimento cardíaco” no estado, que proíbe as mulheres de fazerem um aborto a partir do momento em que o batimento cardíaco do feto é detectado, o que já pode ocorrer por volta da sexta semana de gravidez.

Um dos problemas da nova lei é que até a sexta semana, muitas mulheres ainda nem descobriram que estão grávidas, uma vez que os primeiros sintomas que indicam uma gravidez podem aparecer só a partir da nona semana de gestação.

As exceções para o aborto ficariam só em casos de gravidez resultante de estupro, incesto ou para salvar a vida da mãe.

Com a aprovação, a lei entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2020.

Além da Geórgia, os estados do Kentucky, Ohio e Mississippi também aprovaram a “lei do batimento cardíaco”, enquanto um juiz federal de Iowa também aprovou uma lei bem semelhante.

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