“Aladdin” e a noite “hindu” da Arábia

Guy Ritchie propõe mashup cultural bem sucedido com a versão live action do clássico Disney

por Mark Cardoso

Olha, eu vou lhe mostrar que se você foi criança de classe média nos anos 1990, que tinha videocassete e aquele monte de VHS amarelo, verde, rosa, vermelho em casa, 2019 é um ano e tanto. Ja na virada, a expectativa era de vermos “Aladdin” live action e de ver “Rei Leão”, trazendo Beyoncé como Nala.

No domingo passado (26), pude conferir o “moleque ladrão que conquista o coração da princesa” na releitura muito bem sucedida de Guy Ricthie, cineasta inglês também conhecido como “o pai dos filhos da Madonna”.

Sim… sua criança interior estará muito feliz, na poltrona do cinema. Isso porque o diretor conseguiu imprimir certa autoralidade na película (e disso trataremos mais adiante), mas foi muito fiel a muitas cenas icônicas da animação Disney, além de ter mantido todas as canções originais (e por isso, minha sugestão é que se assista à versão dublada).

É digno de nota a produção ter recorrido a carinhas novas, fora do grande circuito hollywoodiano, e inclusive não ter embranquecido o lindo elenco (destaque para a “reprodução humana” dos olhões e do bocão tão característicos do protagonista do desenho original). Também vale o registro: a participação de Will Smith, como o Gênio da Lâmpada, é quase um filme à parte.

Diretor inglês de “Snatch” e “Sherlock Holmes” assina a versão live action da animação Disney

Em termos de genialidade criativa e cinematográfica, os louros devem ser dados a Ritchie pelo mashup cultural cuidadoso que ele propõe. Originalmente ocorrido “na noite da Arábia / e o dia também”, a história contada nesta nova versão bebe da estética hindu e indiana, aqui e ali. Quando você começa a notar, acaba se incomodando, se busca algo mais verossímil…

Depois, você percebe a licença poética e, possivelmente, admira o belo trabalho artístico e narrativo feito, nesse aspecto:

-O figurino com ombros cobertos a la Índia em uma princesa que, em dado momento, nos remete ao feminismo lindo de Elsa;
-A profusão de cores quentes bem coordenadas na direção de arte;
-E dança… muita dança que não se limita a fazer referência ao ventre e aos Sete Véus, trazendo para a cena todo aquele ritmo contagiante das coreografias de Bollywood.

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