O que esperar do Singularity Summit tropical

Edição brasileira do evento promovido pela Singularity University promete elevar país à sua potência em palestras e debates sobre o futuro da educação e da tecnologia

por Luciana Bazanella

O hype da Singularity University você já conhece: encravada no Research Park da NASA no Vale do Silício e fundada por Ray Kurzweil e Peter Diamandis, a entidade carrega no seu DNA a visão da abundância e do poder redentor das novas tecnologias para resolver os grandes problemas da humanidade.

O que talvez você não saiba é que desde o ano passado a Singularity promove, em parceria com a HSM, o SingularityU Brazil Summit como parte do seu calendário de eventos. Se globalmente o objetivo é “Create the Future With a Global Community of Trailblazers”, para o evento no Brasil esta mensagem foi devidamente tropicalizada para “Brasil elevado à sua potência”, buscando mobilizar lideranças empresariais com o senso de urgência de que “a hora de transformar o Brasil em um País mais abundante é agora.” A edição de 2018 conseguiu atrair o C-level das principais empresas do Brasil de forma mais do que contundente, então esperamos o maior nível de networking por metro quadrado nesta segunda edição.

O que esperar desta edição

A curadoria bem amarrada desta edição propõe dois grandes eixos para a discussão. O primeiro dia tem como tema “Solucionando os principais desafios do Brasil”e o segundo “Exponencializando as principais forças do Brasil”. A experiência promete ser ainda mais impactante em um “evento totalmente reinventado, em formato 360° com 4 Arenas Temáticas de muito conteúdo, positivismo e abundância”, nas palavras da própria organização. Os temas são Educação, Saúde, Segurança Pública , Energia, Comida, Finanças, Meio Ambiente e Infra-estrutura, sempre neste tom otimista da abundância. Se você não pode estar por lá, dá uma olhada no blog da SU, que faz o framing de cada um dos temas e tem diversos artigos publicados.

Enquanto no Brasil o tema da educação virou cavalo de batalha política, a curadoria do evento finca os dois pés na importância desta discussão, o que seria no mínimo esperado considerando que a Singularity University é uma comunidade global de aprendizado e inovação.

O evento abre com Jeffrey Rodgers, uma figura emblemática da Singularity: responsável pelo desenvolvimento de facilitadores e professores da universidade, é designer de programas e experiências interativas e lúdicas de aprendizagem. Uma nova educação – ou deveríamos dizer uma nova aprendizagem?- passa por ouvir mais de figuras como ele. Se vamos ter que passar os próximos anos nos adaptando a disrupções contínuas, acelerar o ritmo para transformar experiências de aprendizado em algo prazeroso é fundamental, concordam?

Logo em seguida temos Taddy Blecher com o tema “Moonshots in Education”. CEO do Instituto Maharishi, é pioneiro do movimento em prol do ensino universitário gratuito na África do Sul, tendo cofundado com Richard Branson a Branson School of Entrepreneurship (BSE). Ou seja, nem chegamos no coffee break do primeiro dia e já estaremos com a cabeça fervilhando com o tema.

Não podemos deixar de destacar o apresentador/ pensador/comunicador/agitador Jason Silva, que por si só já é um motivo para comparecer ao evento. Ele se descreve como um “wonder junkie” e com seu estilo eletrizante e mashup de referências – das mais pop às mais eruditas- , consegue fazer a gente se questionar sobre questões ultra profundas em pílulas midiáticas de 3 minutos.

Em termos de “temas inescapáveis”, a inteligência artificial está no topo da nossa lista. Nathana O’Brien Sharma traz a palestra “Esperanças, exageros e realidades: a inteligência artificial na indústria hoje”. Quando você lê este título, você espera uma visão ponderada que não seja nem o tom apocalíptico “os robôs vão acabar com o mundo” nem o negacionismo “isso ainda está muito distante de nós”? Nós também! Está na hora de amadurecer a discussão sobre IA e se não for a Singularity a fazer isso, quem será?

Orgulho de ser brasileiro

O conteúdo das arenas é visivelmente marcado por trazer brasileiros que estão fazendo a diferença nos temas de interesse. Escolhemos como amostra as bios desses destes dois palestrantes, que consideramos ter um nível considerável de “wow”:

Luciana Yumi Watari é CEO da Ergostech , empresa brasileira que desenvolveu a tecnologia inovadora para a produção de hidrogênio renovável pela transformação de resíduos em produtos de alto valor agregado.

Espera aí, WAT? Faz-se ciência no Brasil, sim, senhor. E no capítulo “crianças que dominam a p* toda”, dorme com essa:

João Paulo Barreira é o mais jovem escritor bilíngue do mundo, com três livros publicados, o primeiro deles lançado aos 6 anos de idade. Ele é o mais jovem da história a vencer um concurso mundial da NASA (o NASA Ames Space Settlement Contest 2017), concorrendo com mais de 6 mil estudantes de até 18 anos. Foi nomeado embaixador do NASA Science Days para educação no Brasil, programa em parceria com o Kennedy Space Center e a Câmara de Comércio Brasil-Flórida que ensina o método STEM para jovens brasileiros.

Detalhe: o menino tem 8 anos hoje.

Estaremos por lá para conferir a experiência, o hype e a promessa de pensar no Brasil elevado à sua potência. Ficou curioso? Olha aqui a programação completa e prepare-se para falar sobre abundância na sua próxima reunião com seu cliente.

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