James Cameron e “Alita” foram responsáveis pelo adiamento da estreia de “Fênix Negra”

Diretor teria pedido a janela de lançamento original do filme em fevereiro para impedir que adaptação do mangá de Yukito Kishiro enfrentasse “Aquaman” e “Bumblebee” nas bilheterias

por Pedro Strazza

Até o momento, “Fênix Negra” tem se mostrado tudo menos um encerramento digno para a franquia “X-Men” nos cinemas. Bombardeado pela crítica e abandonado pelo público, o longa estreou fazendo pouco mais de 107 milhões de dólares ao redor do mundo, tendo afundado nos EUA com uma arrecadação minúscula de 33 milhões e ficando atrás até mesmo de “Pets 2” – só para ter uma ideia, o detentor anterior do recorde negativo de bilheteria no lançamento da série era “Wolverine: Imortal”, que ainda assim tinha feito 53 milhões só no território estadunidense.

Enquanto analistas e executivos começam a debater o que pode ter dado de tão errado para o filme acabar numa trajetória financeira tão reduzida mesmo sendo o fim de uma das grandes franquias do início do século XXI, uma afirmação que já vem sendo tomada como fato pela indústria é que o longa dirigido por Simon Kinberg não poderia ter sido mais prejudicado pelas duas remarcações de sua data de lançamento. Originalmente marcado para novembro do ano passado, a produção teve a estreia adiada a princípio para fevereiro antes de chegar à data final de 6 de junho – um segundo adiamento que gerou uma situação desconfortável por ter sido feita no dia seguinte ao lançamento do primeiro trailer, que anunciava o dia de lançamento anterior.

Até então, estas confusões do calendário do longa vinham sendo atribuídas ao longo processo de compra da 21st Century Fox pela Disney, que até poucas semanas atrás ainda estavam bagunçando o lançamento de outras tantas produções de ambos os estúdios. Uma reportagem do Hollywood Reporter lançada hoje (10), porém, indica que ainda que o primeiro adiamento tenha sido feito de fato em razão do mercado e o interesse no desempenho do filme nos cinemas chineses, a última remarcação aconteceu por um outro motivo completamente distinto: James Cameron.

Hoje o cineasta mais importante do estúdio graças ao sucesso avassalador de “Avatar” (além do potencial financeiro das continuações, há mais de dez anos em desenvolvimento), Cameron teria pedido ao estúdio a data de fevereiro ocupada por “Fênix Negra” para ajudar a performance de “Alita: Anjo de Combate” nas bilheterias. Espécie de passion project que o diretor vinha apadrinhando à distância, o longa dirigido por Robert Rodríguez estava marcado para sair em dezembro contra “Aquaman” e “Bumblebee”, um cenário que aos olhos de Cameron só poderia afundar a produção – e considerando o desempenho acachapante do blockbuster da Warner Bros., que acumulou mais de 1 bilhão de dólares ao redor do mundo, dá pra dizer que a previsão estava correta.

Assim, a pedido do cineasta a presidente e CEO da 20th Century Fox Stacey Snider decidiu empurrar o lançamento de ambos os longas no calendário, permitindo que “Alita” ocupasse a janela de fevereiro e “Fênix Negra” estreasse no concorrido verão estadunidense. A jogada não foi lá muito esperta, no fim das contas: além das péssimas projeções do último “X-Men”, a adaptação do mangá de Yukito Kishiro acabou tendo um mesmo desempenho medíocre nas bilheterias dos EUA, com 85 milhões de dólares acumulados domesticamente – no resto do mundo, onde reinou praticamente sozinho no mês de fevereiro, o filme conseguiu arrecadar pouco menos de 320 milhões de dólares.

A grande dúvida, agora, é se o desempenho potencialmente medíocre de “Fênix Negra” nas bilheterias vai ou não vai afetar os planos da Disney e da Fox com “Novos Mutantes”, o outro longa da franquia mutante a ter sido afetado pelos pormenores da fusão. Com dois anos de distância entre sua primeira e (espera-se) última data de estreia, o derivado já há algumas semanas vem sendo especulado como possível candidato a um dos streamings da companhia, mas a Disney garante que o filme será lançado nos cinemas.

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