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Cannes Lions 2019: 3 critérios que definem um vencedor de Leão

Só boa vontade e propósito não bastam

por Átila Francucci / VP de Criação, Nova S/B

Para ganhar um Leão em Cannes Lions, uma ideia acima da média e uma notável qualidade de produção são requisitos básicos e indispensáveis. Mas isso nem sempre é suficiente.

São muitas as variáveis em jogo, mas destaco 3. Uma delas, que parece bobagem mas está muito longe disso, é a posição da peça no meio do bololô da categoria. Muitas vezes esse acaso é a única explicação para aquela boa ideia muito bem produzida não estar sequer no shortlist.

Quando a peça está posicionada bem no comecinho é ruim, pois é difícil “dar um 10” sem ter ainda uma noção do conjunto. Estar no final da fila também é ruim pois o cansaço muitas vezes leva a um voto modo “piloto automático”, que normalmente joga a nota sutilmente pra baixo O melhor mesmo é estar no meio da encrenca toda.

Outra coisa que define resultados é a composição do júri. O que faz uma peça fazer a festa em determinada premiação e ficar totalmente fora dela numa outra é o corpo de jurados e seus critérios. Os tipos de jurados são tão numerosos quanto as categorias de Cannes e muitas vezes suas personalidades vão se revelando à medida que se afunila a definição dos prêmios. Mas não dê ouvidos àqueles que falam em conluios ou pactos entre esse ou aqueles jurados. Num grupo de 10 pessoas, qualquer coisa parecida com uma aliança é tão evidente que se torna contraproducente.

Por fim, tem a variável presidente do júri. O peso dele é grande. É ele quem define as fronteiras do voto. É ele também quem determina a nota de corte que dará  tamanho ao shorlist. Um bom presidente de júri tem autoridade, mas passa longe do autoritarismo. Não impõem seu pensamento, mas deixa claro quais os critérios que ele considera fundamentais para avaliar uma peça, orientando os membros do júri a se pautarem por eles. Com isso, os argumentos para defender um trabalho ganham parâmetros, deixando de se pautar exclusivamente pelo gosto pessoal de cada um.

Este ano, David Droga, o presidente da categoria onde sou jurado – Sustenaible Development Goals – foi bastante claro já nos primeiros minutos de jogo sobre os critérios que deveríamos levar em conta no momento do voto: por mais que a boa vontade ou o bom propósito embalem a peça, é preciso que ela seja de fato impactante e tenha dado bons frutos (ou seja, tenha sido um goal); ela obrigatoriamente tem que conter uma ideia nova (afinal este é um festival de criatividade); e por fim a ideia tem que ser escalável, ou seja, de tão boa, de tão positiva para a sociedade, de tão transformadora, ela poderia (e deveria) ser replicada pelos quatro cantos do planeta.

O shortlist ditado por esses critérios sai amanhã. Confesso que estou bastante curioso pelo impacto.

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