Google usou Mannequin Challenge para treinar inteligência artificial

Cerca de dois mil vídeos do YouTube foram utilizados para melhorar percepção de profundidade dos sistemas da empresa

por Matheus Fiore

Em 2016, os vídeos do Mannequin Challenge consumiram a internet de forma voraz. O desafio consistia de vídeos até simples, nos quais as pessoas filmadas brincavam de “estátua” enquanto quem segurava a câmera transitava entre essas pessoas. A brincadeira logo se tornou viral e, hoje, milhões de publicações do tipo podem ser encontrados no YouTube.

Três anos depois da ascensão e queda do meme, eis que descobrimos que o desafio está sendo utilizado por uma equipe de pesquisadores do Google. O objetivo? Os vídeos são utilizados em exercícios de treinamento de redes neurais, o que permite que o sistema identifique com mais precisão a profundidade de vídeos em movimento baseado nas imagens analisadas.

Para treinar a inteligência artificial, os pesquisadores selecionaram 2 mil vídeos do desafio e converteram em imagens em 2D. Em seguida, fizeram uma estimativa da perspectiva da câmera e criaram mapas de profundidade. A partir disso, o próprio sistema foi capaz de identificar a profundidade baseado nos movimentos dos objetos em vídeo. E a boa notícia é que o resultado mostrou uma precisão inédita para os padrões de até então.

De acordo com o Engadget, o fato de os pesquisadores utilizarem tais vídeos sem notificar as pessoas levanta algumas preocupações sobre privacidade. Não é incomum que pesquisadores coletem dados disponíveis publicamente de fontes como o Twitter e o Flickr, e à medida que os sistemas de inteligência artificial se tornam mais independentes a prática se tornará mais comum, o que pode fazer com que pensemos duas vezes antes de participar de brincadeiras virais como o Mannequin Challenge.

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