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Netflix retira 66 episódios de “Chelsea” do catálogo mesmo sendo dona do programa

Empresa alega que medida se deu para ajudar na promoção do 2° ano do talk show, que foi cancelado no fim de 2017; é a primeira vez que conteúdos originais da Netflix não se encontram disponíveis na plataforma

por Pedro Strazza

Com a popularização do streaming nos últimos anos, um mito que se formou sobre o meio é de que todo conteúdo presente no catálogo de serviços do tipo, uma vez adicionado, nunca deixará aquela plataforma. Como os últimos meses provaram de novo e de novo, é claro que isso não é inteiramente verdade, mas a princípio continuava valendo para as produções originais destes canais – até porque em terra de streaming, quem tem conteúdo original é rei, como prova toda a supremacia atual da Netflix neste campo.

A questão é que aparentemente esta permanência eterna de produções criadas pelos próprios serviços de streaming está mudando, começando pela própria Netflix com aquilo que é talvez o seu maior problema de conteúdo hoje: os talk shows. Em uma reportagem sobre os esforços da empresa para prosperar neste formato, o jornal The New York Times revelou que a gigante vermelha do streaming tirou do ar em sua plataforma cerca de 66 episódios de “Chelsea”, o programa de variedades de Chelsea Handler que vinha produzindo três episódios por semana até seu cancelamento no fim da segunda temporada, em outubro de 2017.

Por conta do esquema de produção industrial (e cabível ao formato de um daily show), o ano inaugural do talk show de Handler gerou noventa episódios de meia hora para o serviço, mas atualmente a Netflix mantém disponibilizado apenas 24 destas edições, reunidas numa aba intitulada “O Melhor de 2016”.

A defesa da Netflix é que a ausência atual destes episódios se dá em decorrência de esforços anteriores para promover o talk show. Ao jornal, o vice-presidente de séries não-fictícias e especiais de comédias Brandon Riegg declara que a empresa reduziu o número de programas na plataforma para “facilitar” o trabalho dos assinantes que quisessem “ficar em dia mais rápido com a série” antes que a segunda temporada começasse.

Isso não esconde o fato, porém, de que esta é a primeira vez na história do serviço que conteúdos originais, produzidos e financiados do zero pela Netflix, estejam fora do ar em sua própria plataforma. Ainda mais porque outros talk shows cancelados pelo serviço como “The Break with Michelle Wolf” e “The Joel McHale Show with Joel McHale”, embora com um número bem menor de episódios em relação ao de Handler (ambas foram fechadas ainda na primeira temporada), ainda mantenham todos os seus programas no catálogo após o fim prematuro.

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