Bugs relacionados a dados de localização em celulares força Dinamarca a reabrir dez mil casos judiciais

Procuradoria também suspendeu temporariamente o uso de dados de celulares em casos criminais enquanto se verifica o tamanho do estrago causado por problemas de leitura das informações

por Pedro Strazza

Na Dinamarca, um bug envolvendo dados de um smartphone submetido como prova em um caso judicial fará com que nada menos que 10.700 casos sejam reabertos e revistos pelas autoridades para descobrir se não houve mal julgamento de evidências relacionadas. O diretor da procuradoria pública também ordenou aos procuradores na última segunda-feira (19) que se interrompe-se qualquer uso de dados oriundos de telefones em casos criminais enquanto os processos antigos são investigados.

De acordo com o New York Times, os problemas responsáveis pela reabertura dos casos acontecem desde o ano de 2012 e são causados por dois defeitos distintos. O primeiro, em teoria o menos grave por ter sido descoberto e reparado em março, estaria na forma como o departamento de tecnologia da informação da polícia dinamarquesa vem obtendo o grosso dos dados das companhias telefônicas, conforme o sistema usado pela equipe estaria omitindo partes substanciais dos dados e criando um cenário menos preciso das últimas localizações do aparelho.

Já o segundo seria um bug de rastreamento que estaria ligando os dados dos smartphones ligados aos casos às torres de telefonia erradas, o que conectaria pessoas inocentes e em nada relacionados aos casos às cenas dos crimes. As autoridades declaram que ambas os problemas teriam sido de responsabilidade do sistema da polícia quanto das empresas de telefonia, mas ao Times um representante da indústria nega que as companhias envolvidas nos mais de dez mil casos reabertos teriam parte na culpa.

A situação obviamente terá um impacto amplo no sistema judicial dinamarquês, pois além de forçar as autoridades a revisitarem milhares de processos a princípio encerrados os especialistas na lei local afirmam que os advogados no geral não questionam os dados obtidos por celulares por assumirem que eles são altamente precisos. Ainda não se sabe, porém, se os bugs detectados no país podem valer para outras regiões do globo, nem menos se a descoberta é capaz de gerar um efeito cascata tenebroso nos procedimentos jurídicos mundiais.

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