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Autores de “Cards Against Humanity” lutam contra inteligência artificial pelo emprego na Black Friday

Desafio de 16 horas inclui produção de novos pacotes de expansão para o jogo e máquina que foi treinada com mais de 44 mil cartas brancas para competir

por Pedro Strazza

Para celebrar a Black Friday e aproveitar a ocasião para atiçar a venda de seu jogo e pacotes de cartas, o “Cards Against Humanity” este ano decidiu promover um desafio inusitado: e se os autores dos itens do celebrado jogo tivessem que lutar contra uma máquina?

Pois é exatamente isso que um grupo de roteiristas reais dos baralhos está fazendo hoje (29) desde as 9 da manhã, continuando os trabalhos até a uma da manhã no horário de Brasília. Durante este longo período de 16 horas, o “time humano” está enfrentando uma inteligência artificial que foi ensinada pela companhia a escrever cartas para o jogo num duelo de criatividade, decidindo quem das duas equipes produz os mais populares novos pacotes de expansão do “Cards…”.

A disputa nesse caso é definida pelo público, que pode entrar no site oficial do “Cards Against Humanity” para votar nos melhores packs de 5 dólares criados durante o desafio, seja os desenhados pela máquina ou pelos humanos.

Se você já está achando tudo isso muito doido, espere que tem mais. De acordo com a empresa, caso os autores humanos vençam cada um dos roteiristas receberá além dos louros da vitória um bônus de salário de cinco mil dólares, mas se a máquina sair triunfante os autores serão sumariamente demitidos para dar lugar à inteligência artificial na concepção dos novos baralhos do jogo.

A parte da punição aos funcionários felizmente é só uma brincadeira (ou pelo menos assim espera-se), conforme o desafio parece soar como uma grande sátira à atual nova onda de demissões ao redor do globo por conta da automatização dos postos de trabalho. Como bem lembra o The Verge, o co-criador do “Cards Against Humanity” Max Temkin já chegou a se posicionar fortemente contra o conceito da Black Friday e afirmou no ano passado que a data “era um bom tema de paródia” para a companhia.

Ainda que seja tudo uma grande piada com o dia, a empresa afirma que a inteligência artificial presente na ação é real e foi criada a partir de uma rede neural open source da OpenAI. De acordo com a Cards Against Humanity, a máquina que atualmente “luta” com os funcionários aprendeu a gerar itens para o jogo a partir da leitura do texto de mais de 44 mil cartas brancas de sugestão, incluindo as mais de duas mil já existentes, cerca de 17 mil não oficiais geradas por fãs e quase 25 mil pensadas pela equipe que nunca chegaram a integrar o jogo.

“Nós paramos de treiná-la depois que ela conseguiu de forma consistente produzir cartas que atendessem ao palavreado e tom do jogo” escreve a companhia no anúncio; “Nós fizemos isso de forma que ela não tirasse muito das cartas já existentes mas ainda fosse capaz de tirar o maior número possível de informações culturais em cada item”.

Para quem se interessou pelo desafio, a disputa pode ser acompanhada na live do YouTube abaixo.

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