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Wired Festival 2019 debate rumos da comunicação, tecnologia e meio-ambiente

Agora na Cidade das Artes, evento retorna com maior foco em palestras

por Matheus Fiore

Hambúrgueres veganos, “Fortnite”, o futuro da comunicação para as marcas, o próximo passo dos podcasts, fake news… Não faltaram temas atuais na edição de 2019 do Wired Festival Brasil, evento organizado pela revista Wired anualmente no Rio de Janeiro. Com a proposta de sempre oferecer um olhar para o futuro a partir de demandas, cenários e tecnologias do presente, o evento teve este ano uma diversidade maior de temas em pauta em relação à edição anterior, realizada em 2018 – não à toa, o festival trocou a discreta Casa França-Brasil pela Cidade das Artes, um dos principais centros de eventos culturais da cidade.

Se a edição anterior focava bastante em experiências tecnológicas mais interativas, como atrações em VR e demonstrações de serviços recém-chegados no Brasil (como os patinetes elétricos), o novo Wired Festival fez a escolha interessante de focar apenas no conteúdo. Com exceção de uma experiência em VR, todo o Festival girou em torno das palestras realizadas no Teatro de Câmara e no Espaço Multiuso.

Nas palestras, todo tipo de conteúdo conectado à proposta do Wired foi abordado. A preocupação com as pautas sociais fica nítida quando as duas primeiras palestras do evento são justamente sobre a diversidade nos quadrinhos da Marvel (como a Miss Marvel, que na atual década ganhou novo alter-ego na paquistanesa Kamala Khan) e o uso da tecnologia contra o racismo.

O lado publicitário, enquanto isso, não foi deixado de lado. Em palestra com Ricardo Dias, vice-presidente de marketing da AmBev, tivemos um vislumbre de como será na visão do executivo o futuro da comunicação entre marcas e o consumidor. A palestra fez um interessante estudo da trajetória das telas em nossas vidas – do cinema e da televisão aos smartphones – e como nossa relação com esses gadgets interfere na nossa rotina e na forma de as marcas comunicarem e venderem seus produtos.

Interessante também foi a palestra sobre a primeira empresa de foodtech do Brasil, a Fazenda Futuro, que falou sobre o processo de criação de seu hambúrguer feito inteiramente com plantas, mas que possui a textura e o sabor da carne. Sobre essa palestra, especificamente, vale ressaltar o posicionamento de um estande da Fazenda Futuro ao lado de fora do Teatro de Câmera, permitindo que os visitantes do Wired pudessem conhecer e provar o produto (não de graça, claro) a qualquer momento ao longo do festival.

Operando em um espaço muito maior do que o da Casa França-Brasil, o Wired conseguiu oferecer um evento interessante para quem busca atentar-se às novidades relacionadas à intersecção entre cultura, tecnologia e meio ambiente. Fica, porém, a leve sensação de que o enorme espaço da Cidade das Artes poderia ser melhor aproveitado, e de que o Wired poderia, em edições futuras, procurar trazer mais atrações interativas.

Outro ponto interessante é que o Wired consegue alinhar o conteúdo oferecido com sua proposta, de forma que, com exceção dos produtos lá anunciados exclusivamente por questões de marketing, nenhuma das palestras soa gratuita ou deslocada da ideia básica do festival. Como resultado, mesmo que curto e, em termos de apresentação, simples – afinal, baseia-se unicamente na sequência de boas palestras –, o Wired Festival 2019 é um interessante olhar para como questões sociais, culturais, tecnológicas e ambientais do presente e do passado moldam o futuro.

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