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Acusado de múltiplos casos de assédio sexual, Harvey Weinstein chega a acordo de US$ 25 milhões com vítimas

Longa duração do processo pode ter levado partes a chegar acordo, que previne o produtor de ser acusado novamente dos crimes e não o responsabiliza pela indenização milionária

por Pedro Strazza

Há dois anos, uma série de reportagens do The New York Times expôs ao mundo uma legião de vítimas abusadas sexualmente por Harvey Weinstein, executivo até então todo poderoso da The Weinstein Company. A história mudou drasticamente o cenário de Hollywood, não apenas incentivando que outros assediadores fossem expostos na mídia como foi responsável pela criação de movimentos como o #MeToo, bem como a destruição do estúdio liderado pelo produtor – que foi obrigada a declarar falência no ano seguinte e ser vendida e desmembrada a novos donos.

Mas após meses de processos jurídicos e disputas na corte, aparentemente os advogados das vítimas e de Weinstein entraram em um acordo que põe fim à questão judicial. De acordo com o próprio New York Times, o produtor e os membros do antigo conselho de seu estúdio concordaram em pagar um montante de 25 milhões de dólares aos procuradores, mas sem que Weinstein seja obrigado a assumir os crimes ou pagar do bolso qualquer parte do valor.

Com a maioria das 30 atrizes e funcionárias do estúdio envolvidas na ação coletiva global (incluindo EUA, Canadá, Reino Unido e Irlanda) já tendo aceitado o negócio, o acordo em teoria previne que Weinstein seja acusado futuramente de crimes parecidos no tribunal, com o conselho do estúdio ficando isento de futuras culpabilidades e as vítimas retirando as acusações de assédio oficialmente. Este desfecho no momento só depende da aprovação final das partes remanescentes e da corte que lida com o caso, mas não envolve o processo separado e movido pela atriz Ashley Judd contra o produtor.

A divisão dos 25 milhões previstos deve se dar da seguinte forma: enquanto 18 das vítimas receberão juntas cerca de 6,2 milhões de dólares, não levando mais que US$ 500,00 mil individualmente, os outros 18,5 milhões de dólares serão separados para o grupo de autores da ação que o moveram de forma coletiva, o procurador geral do estado de Nova York e a qualquer futuro requerente – que verão sua compensação ser decidida por uma equipe de monitoramento designada pela corte.

De acordo com advogados envolvidos, a compensação financeira faria parte do atual processo geral de acerto de contas da falência da Weinstein Company, que já beira aos 47 milhões de dólares. Ao bolso de Weinstein, porém, só vai doer o pagamento das despesas de seu time legal: o Times declara que os custos envolvem algo em torno de 12 milhões de dólares, a serem divididos entre ele, o irmão (e também dono da TWC) Bob Weinstein e os outros membros do conselho.

Toda essa resolução pelo visto vem na esteira de um longo, árduo e cansativo processo legal. Ao longo dos últimos dois anos, o caso envolveu todo tipo de pessoa relacionada à figura de Weinstein, incluindo além do conselho os credores e seguradores da Weinstein Company, e a coisa só piorou quando a companhia declarou falência e o procurador geral do estado Eric T. Schneiderman se retirou do caso por conta de acusações de que ele mesmo teria praticado atos de assédio e abuso sexual.

Com duas envolvidas no processo já tendo negado o acordo – a produtora Alexandra Canosa e a atriz Wedil David – Weinstein voltará ao banco de réu no tribunal de Manhattan no começo de janeiro, quando voltará a ser acusado de assédio sexual por outras duas mulheres não relacionadas ao atual processo.

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