Comercial de companhia aérea escandinava questiona identidade da região e sofre ataques da extrema-direita

Vídeo da SAS gerou ira de partidos anti-imigrantes e ameaça de bomba em agência por mostrar que a rica cultura da região é fruto do contato com outros países

por Pedro Strazza

Companhia áerea multinacional que atua na Suécia, Dinamarca e Noruega, a Scandinavian Airlines (SAS) esta semana lançou uma nova campanha publicitária que acabou gerando a ira da ala de extrema-direita da região. O motivo é o ângulo do principal comercial da ação, cujo título já entrega a principal desconstrução promovida: o que de fato configura algo como escandinavo?

No original “What is truly Scandinavian?”, a peça de quase três minutos preparada pela agência dinamarquesa &Co é todo preparado em cima do questionamento, que se repete para todos os itens que o mundo geralmente associa à região e mostra como estes no fundo vieram de outras regiões. “Nós pegamos tudo que gostamos em nossas viagens, ajustamos um pouco aqui e ali e ele logo se torna em algo unicamente escandinavo” anuncia o locutor no anúncio, que termina mostrando imagens da recepção de turistas e cidadãos de diferentes origens nos aeroportos dos três países e pregando uma mensagem de união mundial – confira acima o vídeo na íntegra.

Apesar da beleza do comercial, ele não foi nada bem recebido pelos partidos anti-imigração da região, que passaram a encher as redes sociais de críticas à campanha e à marca – até o momento, o vídeo possui quase 600 mil visualizações e 75 mil dislikes no YouTube. A alegação movida por estes grupos é de que a peça seria “desrespeitosa” à cultura escandinava.

A pressão foi tamanha que a SAS em menos de 24 horas retirou do ar e lançou novamente (em uma versão mais “compacta”) o anúncio, alegando que o volume de reações à campanha nas redes sociais sugere que a publicação foi “alvo de um ataque”.

A empresa não deixou de mostrar orgulho pelo comercial, porém. “As experiências que nós trazemos de nossas viagens nos inspiram como indivíduos, mas também nossa sociedade” escreve a SAS numa declaração oficial sobre o caso, onde também comenta que “É uma pena que o filme seja mal compreendido, que alguns tenham escolhido interpretar e usar a mensagem para seus próprios fins”.

Quem também tem sofrido retaliações é a &Co, que foi responsável pela criação da peça. O The Guardian reporta que uma rua no centro da cidade de Copenhage foi fechada brevemente na tarde de quinta-feira (13) após a empresa ter recebido uma ameaça de bomba por e-mail e a polícia ter realizado uma investigação de segurança no prédio para garantir que não houvesse possibilidade de atentado.

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