ROFLcon 2010: Indieweb e a explosão criativa nos EUA

ROFLcon 2010: Indieweb e a explosão criativa nos EUA

por Bob Wollheim

Com esse post, estreia aqui no Brainstorm #9 a participação de Bob Wollheim. Empreendedor, socio da Sixpix, conteúdo focado em Gen. Y, que publica as plataformas Pix e ResultsON

RolfconCreative Commons License fotos: Scott Beale / Laughing Squid

Este final de semana participei do ROFLcon, evento que aconteceu no MIT aqui em Boston (EUA), e que reuniu a galera que curte, faz, brinca e se diverte com os memes da web.

ROFL, ou Rolling on the Floor Laughing – algo como rolando no chão de tanto rir – juntou memes como os Lolcats do Ben Huh, o David After Dentist, com o Little David e o Big David presentes, o Mahir do I Will Kiss You, passando por todo o tipo de bobagem, brincadeira, escárnio e humor.

Foi uma experiência incrível mergulhar nessa web indie – muitas das coisas já nem tanto indie hoje em dia – e poder ver, papear, debater e interagir com quem produz o conteúdo que bomba (ou bombará) na internet do mundo.

RolfconCreative Commons License fotos: Scott Beale / Laughing Squid

Imagino que muitos conhecem vários destes sites (veja os links ali abaixo) e não tenho a menor pretensão de trazer as novidades da América (SIC!) para um público que conhece muito mais do que eu, mas queria fazer sim uma provocação: onde está essa web indie, criativa, ousada, menos politicamente correta e totalmente irreverente no Brasil? Temos alguns bons casos, claro, tipo o Jovem Nerd, o Kibeloco, o Judão, o Tas, a Rosana, o Inagaki e até o próprio Brainstorm #9, mas na realidade sinto que poderíamos ter uma veia indie MUITO mais forte, derrubando preconceitos, produzindo conteúdo e criando uma cultura pop wébica aí no Brasil.

Sinto falta de uma cena mais indie, mais ativa, tipo um ROFLcon onde uma galera se reune para papear e entender para onde vai a web (ou pra onde eles estão levando a web). Se estou certo no meu raciocínio, seriam os motivos culturais? Econômicos ou sociais?

Não sei, talvez de tudo um pouco, somado o fato que temos uma única emissora de TV que tem 80% da audiência (analisamos uma nuvem de tags de virais na Pix ano passado e deu um “Globo” enorme no centro dela!?), um povo um tanto quanto preconceituoso (já se ligou que uma parcela enorme dos virais brasileiros é de gente fazendo chacota ou rindo da desgraça ou da burrice alheia e normalmente de gente menos favorecida?!) e um país onde é duro ganhar a vida, o que nos força a pegar um emprego que nos garanta, mas que também nos tolha a liberdade? (já reparou quantos blogueiros bacanas arrumaram empregos na “social media inc” brazuca e perderam o charme (ou a independência) de blogar, tuitar, etc?)

RolfconCreative Commons License fotos: Scott Beale / Laughing Squid

Não quero estrear meus textos aqui neste espaço – btw, obrigado pelo convite editores! – de uma maneira negativa, muito menos macacando a gringaiada, mas também acho que simplesmente ser hey ho let’s go para tudo é confortável, simples e indolor, mas totalmente inócuo. Eu vir aqui para incensar meus amigos ou dizer que a web brasileira é demais… era melhor não vir! Claro que temos coisas muito legais, como já disse, mas pelo que somos, pela nossa criatividade, inventividade e até mesmo pelo “djeitinho” brasileiro, poderíamos ter muito mais!

Ou não?

Se você está lendo isso, ficou puto, discorda, e tem uma boa idéia, ótimo, era isso mesmo que eu queria criar na sua cabeça. Faz acontecer, acredita, me prova que estou errado, FAZENDO!

Não se contente com um bom empreguinho ou em ser convidado para todas as festinhas da social media, ganhar presentinho e ficar tuitando que o celular X é o máximo quando todos nós sabemos que não é! Tenho certeza que tem muito mais coisas bacanas nas cabeças por aí e se faltava um empurrão/provocação, agora não falta mais!

| Pessoas que estão pensando a web e que vale acompanhar:
Ethan Zuckerman (Berkman Center for Internet and Society) – @ethanz
Danah Boyd (Microsoft Research) – @zephoria
Christian Sandvig (Berkman Center for Internet and Society)

| Empresas/grupos que estudam os memes e a web:
BuzzFeed / Jonah Peretti
The Meme Factory

| Sites que estão acontecendo por aqui e vale ficar de olho:
Lamebook.com / Cockeyed.com / Rathergood.com / Awkwardfamilyphotos.com / Textsfromlastnight.com / Stuffwhitepeoplelike.com / Internetfamo.us / Youshouldhaveseenthis.com / KnowYourMeme.com / 4chan.org

Compartilhe: