Com pandemia, Disney deixa de ganhar US$ 1 bilhão só com os parques

Esperança no momento reside no Disney+, que na metade do plano global de lançamento já está para bater metas iniciais de público para 2024

por Pedro Strazza

A Disney realizou no fim desta terça-feira (5) uma bastante antecipada reunião com investidores para revelar os resultados fiscais da companhia neste último trimestre, marcado pela explosão da pandemia e da crise do coronavírus. Os resultados seguem mais ou menos o cenário esperado pelos analistas, mas são chocantes especialmente ao refletir o impacto da decisão do conglomerado em encerrar as atividades de seu principal negócio: os parques temáticos.

Isso porque além de ter registrado uma queda de 63% no valor de suas ações em relação ao ano passado, a Walt Disney Company também confirmou aos acionistas que a companhia deixou de ganhar até 1,4 bilhão de dólares em todas as suas operações, com um bilhão deste montante pertencendo só aos parques tocados no mundo – e que nos EUA estão fechados desde meados de março. O mais contraditório é que a receita do conglomerado aumentou 21% em relação a 2019 e chegou a 18,01 bilhões de dólares, gerado no cenário de antes e depois do fechamento da aquisição dos estúdios da 21st Century Fox.

A realidade é dura, mas há alguns lados positivos. Além do relatório ser um pouco melhor que as previsões do mercado (que esperavam uma receita total de aé US$ 17 bilhões), a empresa também tem uma espécie de salvação para o trimestre no Disney+, que em cinco meses – e graças à Índia – já possui um total de 54,5 milhões de assinantes e registrou um pulo de US$ 1,1 bilhão para US$ 4,1 bilhões em faturamento em seu segundo trimestre de vida. A expectativa agora é que o serviço passe da marca dos 60 milhões de usuários até o fim de 2020, um feito que atinge a meta a longo prazo que a companhia estabeleceu no anúncio da plataforma – quando declarou a ambição de contar com algo entre 60 a 90 milhões de assinantes em 2024.

“Ainda que a pandemia do Covid-19 tenha gerado um impacto financeiro sem precedentes em uma quantidade considerável de nossos negócios, nós estamos confiantes em nossa habilidade de suportar esta disrupção e emergir desta em uma posição forte” escreve o atual CEO da companhia, Bob Chapek, na divulgação do relatório, que ainda revela que o braço televisivo do conglomerado aumentou em 28% sua receita e atingiu a altura dos 7,3 bilhões de dólares.

A questão agora é saber até que ponto o Disney+ consegue ajudar a manter os negócios da companhia mais ou menos preservados durante a pandemia, conforme a maioria dos parques devem continuar fechados até que a situação se estabilize nas respectivas regiões – a exceção no momento é o parque temático de Xangai, que segundo a Variety confirmou no evento de ontem a reabertura para o próximo dia 11 de maio sob diversas medidas de distanciamento social. Embora a plataforma esteja registrando recordes de assinaturas e ainda tenha territórios esperando o lançamento (incluindo o Brasil), o serviço nos Estados Unidos deve inflacionar o valor da mensalidade a partir de novembro, uma decisão que pode vir a ser uma barreira caso a companhia não fomente um catálogo à altura do preço.

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