“Nós estávamos do lado errado da história”, reconhece presidente da Microsoft sobre código aberto

Fala de Brad Smith foi feita durante encontro virtual do executivo com alunos do MIT

por Pedro Strazza

Programas de código aberto hoje são algo não apenas bastante corriqueiro de se ver no noticiário de tecnologia como foram abraçados por algumas das principais companhias do Vale do Silício, mas não faz tanto tempo assim que esta abertura era vista com bons olhos pelos maiores nomes do mercado. Um desses conglomerados era a Microsoft, que no começo dos anos 2000 chegou a definir o então rival Linux como “um câncer que se liga a um sentido de propriedade intelectual a qualquer coisa que toque”.

Esta fala no caso foi dita pelo então CEO Steve Ballmer em 2001, mas nos dias de hoje definitivamente não define os negócios da empresa. Além de ter confirmado recentemente a inclusão do Linux e do Ubuntu entre as opções do Windows 10, a Microsoft vem criando várias frentes de negócios nos últimos anos, incluindo aí softwares como do PowerShell, Visual Studio Code e até do JavaScript.

Posto isso, chega a ser uma surpresa que só agora, dezenove anos depois de definir o código aberto como um “câncer”, alguns dos principais executivos da companhia comecem a reconhecer o erro. Quem deu o primeiro passo foi o atual presidente Brad Smith, que durante uma conversa com alunos do MIT via videochamada chegou a afirmar que a Microsoft “estava do lado errado da história quando o código aberto explodiu no começo do século”.

Smith tem experiência de sobra para dar peso a esta fala. Na companhia desde 1993 e com formação em direito, Smith é atualmente o maior veterano do quadro executivo da Microsoft e testemunhou de perto as lutas internas da empresa para “derrotar” o open sourcing – mas isso parece ter ficado definitivamente para trás. “A boa notícia é que, se a vida é longa o suficiente, você consegue aprender que precisa mudar” chegou a comentar o presidente na conferência com os alunos, reafirmando a posição da companhia como uma das principais apoiadoras de projetos de código aberto no mundo.

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