Dona do TikTok, ByteDance estuda mover negócios para fora da China

Companhia busca sair do centro das atenções em futuras tensões geopolíticas, preferindo deslocar para o âmbito global seus negócios que não sejam focados no público chinês

por Pedro Strazza

Uma nova reportagem da Reuters afirma que o ByteDance, a companhia por trás do TikTok, estaria realizando uma série de movimentos para levar o centro de seus negócios para fora da China. A estratégia já vem sendo aplicada nos últimos meses e inclui a escolha de Kevin Mayer como CEO da rede social de vídeos, afim de deslocar a empresa do centro de quaisquer tensões geopolíticas que vem se acumulando ao redor do globo.

De acordo com o veículo, o plano inclui todos os produtos da ByteDance que não tenham como foco o público chinês, o que vale não apenas para o TikTok mas também por exemplo o Helo, rede social que faz imenso sucesso na Índia. Vagas para engenheiros foram anunciadas em massa na internet em países como Singapura, Indonésia e Polônia.

A companhia também já expandiu as operações de engenharia e pesquisa no núcleo da TikTok em Mountain View, na Califórnia, contratando mais de 150 engenheiros só nas últimas semanas. Em Nova York, enquanto isso, a ByteDance também fechou negócio com Michelle Huang, ex-investidora da SoftBank, para a criação de um cargo de “diretor de relações com investidores” para manter contato constante com grandes acionistas locais como a General Atlantic e a KKR, que até então vinham fazendo este relacionamento direto com a matriz em Pequim.

Essa mudança de rumo obviamente tem impacto, em especial nos corredores internos da empresa. A reportagem da Reuters afirma que embora apoiem a mudança de negócios para o âmbito global, grande parte do corpo de funcionários da ByteDance tem lidado com as notícias de forma cautelosa, preocupado com um possível cenário onde sua participação dentro do dia a dia da empresa torne-se menos relevante nesta fase de expansão – há inclusive gente buscando emprego já, temeroso por uma onda de demissões, ainda mais em meio a uma crise global de saúde.

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