Facebook derruba anúncios da campanha de Donald Trump por conterem símbolos nazistas

Publicações também incitavam ódio contra o movimento antifascista, classificando-o como "perigosas máfias formadas por grupos de extrema esquerda"

por Pedro Strazza

Depois de nas últimas semanas ver seu CEO se posicionar contra as restrições impostas pela concorrência a publicações do presidente estadunidense Donald Trump, o Facebook nesta quinta (18) tirou do ar uma série de anúncios veiculados pela campanha de reeleição do executivo. A razão fornecida pela companhia é de que as peças violam as diretrizes contra discursos de ódio da plataforma, conforme elas promoviam símbolos associados tradicionalmente ao nazismo.

O principal símbolo usado pelas propagandas no caso era um triângulo vermelho invertido, uma identificação muito usada pelo regime nazista para prisioneiros políticos em campos de concentração. Além da imagem, as publicações também alertavam os usuários sobre “perigosas máfias formadas por grupos de extrema esquerda” e pedia que o público assinasse uma petição contra os movimentos antifascistas – que o presidente buscou culpabilizar pelos recentes protestos sobre a morte de George Floyd ao invés de tratar da questão no cerne das manifestações.

Os anúncios começaram a circular na rede social a partir da última quarta (17) e foram desativados após veículos estadunidenses como o Washington Post procurarem o Facebook para perguntar do caso. De acordo com o jornal, a publicação já havia gerado 950 mil impressões até a manhã de hoje, enquanto posts similares veiculados nos perfis oficiais do vice-presidente Mike Pence alcançaram meio milhão de visualizações.

“Nossas diretrizes proíbem o uso de símbolos banidos de grupos de ódio para identificar prisioneiros políticos sem o contexto que condene ou discuta seu uso” escreveu Erin Marie Saltman, membro da companhia, em seu perfil no Twitter na esteira da derrubada.

Enquanto a campanha de Trump alega que o símbolo faz parte da iconografia antifascista – ainda que exista um equívoco evidente de argumentação, dado que o grupo utiliza de círculos com cores vermelhas e pretas – a decisão do Facebook é mais um capítulo no cenário de tensão crescente entre o presidente e a internet, onde baseou grande parte de sua campanha de eleição em 2016. Além do Twitter ter restringido alcance e marcado como desinformação tweets de Trump, o Snapchat também barrou a promoção do perfil do executivo em sua plataforma alegando que não iria “amplificar vozes que incitam violência e injustiça racial”.

Compartilhe: