Contra discursos de ódio, gigantes como Coca-Cola e Starbucks suspendem publicidade nas redes sociais

Conglomerados estão tomando decisão para protestar contra omissão de plataformas diante de propagação de discurso de ódio

por Matheus Fiore

O anúncio via redes sociais talvez seja, hoje, um dos principais meios para grandes marcas se comunicarem com o público consumidor. Afinal, nenhum outro meio permite segmentação tão específica quanto a de plataformas como o Facebook e o Instagram. Apesar disso, gigantes como Coca-Cola, Diageo, Starbucks e Unilever começaram a divulgar na última semana a decisão de que estão abandonando anúncios em redes sociais.

O momento é de pressão por mudanças sociais em todo o mundo, principalmente após os inúmeros protestos gerados pelo assassinato de George Floyd nos Estados Unidos. O movimento Black Lives Matter, por exemplo, nunca teve tanto holofote em sua trajetória. Por isso, marcas de renome mundial estão se posicionando e procurando formas de contribuir para o progresso social.

O problema é que, diante da ascensão de grupos de extrema-direita e supremacistas raciais principalmente na Europa e nos Estados Unidos, as redes sociais se tornaram um espaço de livre propagação de discurso de ódio. E muitas das empresas não reagem veementemente, e acabam permitindo que suas plataformas sejam usadas para tais fins. A decisão de empresas como a Coca-Cola e a Starbucks, então, é uma resposta à omissão das plataformas das redes sociais.

“Nós acreditamos em unir comunidades, tanto pessoalmente quanto online”, afirmou a Starbucks em um comunicado. A empresa pretende manter sua atividade em redes sociais, mas sem promover anúncios pagos. A marca disse ainda que pretende manter discussões internamente e com seus parceiros de mídia e organizações de direitos civis para pôr fim à disseminação do discurso de ódio.

A Coca-Cola, por sua vez, decidiu interromper toda a publicidade feita em mídias sociais, em todo o mundo. A Unilever, dona de diversas marcas importantes dos mercados de higiene e alimentação, reduzirá pela metade sua publicidade no Facebook, no Instagram e no Twitter pelo menos até o fim de 2020.

As novidades chegam pouco tempos após o movimento Sleeping Giants chegar ao Brasil. O grupo se dedica a expor grandes empresas que invistam em anúncios exibidos em sites extremistas que propaguem fake news ou discurso de ódio. “Visamos impedir que sites preconceituosos ou de fake news monetizem através da publicidade. Muitas empresas não sabem que isso acontece, é hora de informá-las”.

Há, portanto, uma enorme mobilização online, tanto por parte da sociedade comum quanto das empresas, para que mudanças sistêmicas importantes sejam feitas nas plataformas online. Talvez com as mídias sociais sentindo o impacto em seus bolsos, empresários como Mark Zuckerberg e Jack Dorsey, respectivamente os donos do Facebook e do Twitter, finalmente tomem uma decisão, mesmo que motivados apenas por seus bolsos.

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