Além de ajudar na prevenção, máscaras faciais prejudicam tecnologias de reconhecimento facial

Sistemas analisados pela US National Institute of Standards apresentaram taxas de erro de até 50% quando usadas para analisar rostos "mascarados"

por Pedro Strazza

As máscaras faciais se tornaram onipresentes nas ruas de todo mundo ao ajudar o público a ter mais segurança na hora de trafegar por locais mais movimentados durante a pandemia do coronavírus, mas é óbvio que seu uso no momento também começaria a afetar indiretamente outros setores destes espaços. Um exemplo? As tecnologias de reconhecimento facial, que aparentemente tomaram um prejuízo sério no desenvolvimento de seus algoritmos depois que o mundo começou a cobrir mais de 50% do rosto.

A informação vem de um novo estudo da US National Institute of Standards (NIST), que declara que a taxa de erro na hora de análise e identificação por estes sistemas subiu de 5% a até 50% nos últimos meses devido ao uso dos aparatos. O curioso é que as cores são um fator tão importante quanto a porcentagem da área coberta nos problemas enfrentados pelos softwares neste momento, com o instituto declarando que máscaras faciais de cor preta afetam muito mais os resultados que as de cor azul.

De acordo com a pesquisa da NIST, as máscaras prejudicam o trabalho dos algoritmos porque, ao remover do campo visual alguns dos traços mais importantes do rosto humano, elas também inviabilizam o trabalho dos sistemas que conduzem este tipo de identificação a partir de medidas de distância entre estes traços. Não à toa, os programas menos afetados pelas máscaras são os similares ao Face ID dos iPhones, que ainda utilizam de sensores de profundidade para registrar o rosto do usuário – a princípio para evitar fraudes a partir de fotos, agora para driblar os novos “obstáculos”.

Vale ressaltar que o estudo conduzido pelo instituto não vale a todos os programas de reconhecimento facial, porém, dado que ele só testou os sistemas conhecidos internacionalmente como “one-to-one matching” – usados no geral para controle de fronteira e validação de passaporte. Além dos softwares de vigilância pública usarem de uma programação distinta para isolar os indivíduos analisados (e que por isso erra bem mais), muitas empresas especializadas nesta área do mercado já tem buscado desenvolver novas tecnologias do tipo que trabalham na identificação a partir dos olhos, eliminando assim todos os traços humanos ocultos pelas máscaras faciais.

Isso não quer dizer que o ramo esteja tranquilo neste momento. Um documento do Departamento de Segurança Interna dos EUA reportado pelo Intercept há alguns meses mostrava que a agência estava preocupada “com os potenciais impactos que o uso amplo de máscaras protetoras poderiam ter nas operações de segurança” que utilizam sistemas do tipo, o que por sua vez justifica a pesquisa da NIST – que é uma agência do governo criada justamente para verificar a eficiência de tecnologias usadas pela administração estadunidense. A entidade espera conduzir mais testes com outros tipos de softwares de reconhecimento facial ainda este ano.

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