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“Oi, sumido”: Netflix negocia compra da distribuição de “A Mulher na Janela” da Disney

É a primeira grande discussão de negócios entre as duas empresas desde que a Disney decidiu romper o acordo de licenciamento para criar a Disney+

por Pedro Strazza

Faz quase três anos desde que a Disney decidiu encerrar o contrato de licenciamento de seus filmes e séries para a Netflix e fundar o que viria a ser conhecido como o Disney+, um movimento que praticamente deflagrou o que o mundo conhece hoje como as guerras do streaming. E para marcar o aniversário, nada parece mais coerente que um “remember” na forma de um novo acordo entre as duas empresas para… a venda da distribuição de um filme do estúdio para o serviço de streaming de Reed Hastings e Ted Sarandos.

Acredite se quiser: de acordo com o Collider, as duas empresas estão finalizando um negócio para que a Netflix assuma os direitos de distribuição de “A Mulher na Janela”, suspense estrelado por Amy Adams e dirigido por Joe Wright que virou de posse da Disney desde a compra dos estúdios da 21st Century Fox. Depois de adiar o longa em diversas ocasiões, a companhia do Mickey pelo visto desistiu de vez do projeto com a pandemia do coronavírus e agora busca equilibrar os custos vendendo-o a um terceiro – a rival, neste caso, que se interessa pelo conteúdo dado que a produção já está finalizada há alguns meses pelo menos.

Embora os acordos de licenciamento ainda existam em algumas partes do globo, o negócio caso ganhe vida será o primeiro grande trato feito entre a Netflix e a Disney desde a gestação da Plus, mas a ação faz sentido para ambos os lados. Para a Netflix, a compra da distribuição é só mais um capítulo no histórico de negociações com outros estúdios, incluindo uma sequência sólida com a Paramount Pictures que rendeu acesso a títulos como “The Cloverfield Paradox”, “Aniquilação”, “Um Crime Para Dois” e a mais recente animação do Bob Esponja – além de outras companhias como a Warner Bros. e a Universal Pictures.

Já a Disney sai ganhando com a ação não apenas por conta do equilíbrio dos gastos, mas porque se “livra” de um projeto que a princípio não se enquadra na programação de suas plataformas. Se “A Mulher na Janela” não funciona para o Disney+ enquanto suspense, ele também não encaixa no Hulu devido ao orçamento um pouco mais alto que a média, gerado pela presença de atores e atrizes como Julianne Moore, Gary Oldman, Jennifer Jason Leigh e Anthony Mackie no elenco – um problema similar enfrentado pela Sony recentemente com “Greyhound”. Isso em tese deixa como última dor de cabeça dos “restos” da Fox o coitado do “Novos Mutantes”, que agora mira um lançamento no fim de agosto nos EUA.

Produzido por Scott Rudin e Eli Bush, “A Mulher na Janela” no caso é a adaptação do livro homônimo escrito por A.J. Finn, que conta a história de uma psicóloga agorafóbica (Adams) que certo dia presença um ato violento nas proximidades de sua casa nos subúrbios de Nova York e não sabe para quem relatar o crime. Ainda não se sabe quando a Netflix tem interesse de colocar o longa no catálogo, mas é curioso perceber que até a Disney entrou no jogo de vender produções “descartadas” à gigante vermelha.

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