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Capitalismo inclusivo, a nova aposta da Nasdaq

CEO de uma das principais associações de bolsa de valores palestrou no Fast Company Innovation Festival sobre os esforços da organização para melhorar o mundo

por Juliana Vilhena Nascimento / COO da F.biz

Adicionei um novo nome à lista das mulheres que admiro: Adena Friedman, CEO da Nasdaq, que na última quarta-feira (7) dividiu com o público do Fast Company Innovation Festival sua visão sobre a trajetória e o futuro da companhia.

A primeira coisa que eu aprendi é que a Nasdaq atualmente é muito mais do que um “stock exchange”. Ao longo dos últimos anos e sob a gestão de Friedman, ela se tornou uma empresa de tecnologia a serviço do segmento financeiro, vendendo serviços de vigilância e contra fraudes para mais de 165 mercados mundo afora, por exemplo.

Aliás, uma das coisas que percebi esta semana no festival foi a clareza que alguns CEOs – os bem-sucedidos, no caso – tem sobre o que é o cerne dos seus negócios. James Dyson, da Dyson, foi específico: seu foco é “tudo o que se pode fazer com um jato de ar”. Já pra Friedman, a Nasdaq existe para “marketize the world” – numa tradução livre, transformar o mundo através da lógica dos mercados.

Um bom exemplo é o “football index”, um produto que eles lançaram em parceria com uma empresa europeia que usa o conceito dos mercados pra que você “compre ações” dos jogadores dos clubes ao invés de apostar neles com agiotas de caráter duvidoso. À medida em que o campeonato acontece e os jogadores se destacam suas ações sobem, e depois você pode obter seu lucro.

Mas a melhor parte da conversa foi ver Friedman falar que a Nasdaq advoga pelo “Capitalismo Inclusivo”. Sim, estou falando de um capitalismo  mais consciente, mais democrático – que deixa no passado o antigo modelo em que os acionistas tomam o máximo de lucro em detrimento dos consumidores e colaboradores. Ela acredita que “se você fizer o que é certo pelo seu consumidor”, você – o CEO ou o acionista – “vai colher mais resultados”.

Ao final, quando perguntada sobre como ela define o potencial ou o sucesso de uma empresa, ela rapidamente respondeu “eu tento entender quão permanente ela será”. E eu fiquei pensando que a NYSE (concorrente direta da Nasdaq) deveria se preocupar com a própria permanência…

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