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Governos alertam que encriptação do Facebook pode beneficiar criminosos

Em 2018, 12 das 18,4 milhões de denúncias de abuso sexual infantil tiveram como base conversas no Messenger, que está prestes a ser encriptado

por Matheus Fiore

Os governos de Austrália, Canadá, Estados Unidos, Índia, Japão, Nova Zelândia e Reino Unido alertaram que o novo método de encriptação de conversas do Facebook pode representar um enorme perigo para a segurança dos usuários. Segundo o Business Insider, a encriptação permite que qualquer pessoa inicie uma conversa não rastreável, o que pode ser um caminho para que criminosos atuem pelo Messenger.

O Facebook anunciou em março que estava trabalhando para disponibilizar encriptação de ponta a ponta para seu app Messenger, o que significa que apenas as pessoas envolvidas na conversa podem ler o que é dito no chat. Essa característica já existe, por exemplo, no WhatsApp, o principal aplicativo de troca de mensagens do mundo e que também pertence ao Facebook Group.

Preocupados com a possibilidade de terroristas, abusadores e demais criminosos utilizarem o Messenger como comunicador principal, os governos se uniram e assinaram, na última segunda, uma declaração acusando a encriptação de ser um risco para a segurança pública, incluindo a exposição de crianças exploradas sexualmente.

Apesar do manifesto, os governos não citam diretamente o Facebook ou outras empresas, mas apontam que, em 2018, o Messenger foi a plataforma onde 12 das 18,4 milhões de denúncias de abuso sexual de crianças do mundo foram investigadas, de acordo com o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas.

O Facebook ainda não se manifestou, mas a tendência é que continue o processo para encriptar suas conversas para garantir mais “privacidade” para seus usuários. Levando em conta o contexto do mundo e todo o passado recente do Messenger, é no mínimo irresponsável e muito preocupante, caso a empresa de Mark Zuckerberg decida seguir com seus planos sem entrar em algum acordo ou ao menos ouvir as críticas dos governos e autoridades.

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