WikiLeaks founder Julian Assange arrives at the Westminster Magistrates Court, after he was arrested  in London

Tribunal no Reino Unido nega extradição de Julian Assange para os EUA

Juíza acredita que Assange pode tirar a própria vida caso seja enviado ao país, onde encara acusações de espionagem e invasão de computadores

por Pedro Strazza

A juíza britânica Vanessa Baraitser decidiu nesta segunda-feira (4) que Julian Assange, fundador do WikiLeaks, não deve ser extraditado do Reino Unido para os Estados Unidos. A resolução impede que Assange encare as acusações de espionagem e invasão de computadores do governo norte-americano e foi pensada tendo em vista o estado mental do réu, que segundo o magistrado carrega alto risco de tirar a própria vida.

De acordo com o The Guardian, no anúncio da decisão a juíza Baraitser chegou a comentar que acredita que “a condição mental do senhor Assange é tal que seria opressivo extraditá-lo aos EUA”, tendo em vista que seu alojamento muito provavelmente seria uma prisão de segurança máxima com procedimentos de extremo antagonismo. “A impressão geral é de um homem deprimido e por vezes desesperado, que está genuinamente deprimido sobre seu futuro” comentou ainda o magistrado no anúncio desta segunda.

As razões dadas pela juíza diferem radicalmente da argumentação criada pelos advogados do réu para mantê-lo na Inglaterra, embora no fim a defesa e o magistrado tenham concordado. Baraitser passou os últimos dias negando a ideia de que a extradição de Assange representaria uma quebra da política britânica na área envolvendo “ofensas políticas”, além de não ver motivo para duvidar que ele não passaria pelas mesmas proteções “constitucionais e procedurais” da justiça norte-americana caso fosse enviado ao país.

Com isso, Assange agora continua sob custódia do governo britânico até que a aplicação de sua fiança seja aprovada ou recusada por um tribunal, além de também aguardar a apelação dos EUA sobre o caso – que já está sendo preparada. Neste meio tempo, o fundador do WikiLeaks segue retido na prisão de Belmarsh.

O caso só vale para o pedido de extradição feito pelos norte-americanos aos britânicos, que detiveram Assange depois deste violar a condicional no país. Vale lembrar que o réu está sendo considerado para o perdão presidencial por Donald Trump, que deixa o cargo maior dos EUA no próximo dia 20 de janeiro.

Compartilhe: