Twitter CEO Dorsey And Facebook COO Sandberg Testify Before Senate Intelligence Committee
Imagem: Jack Dorsey, co-founder and chief executive officer of Twitter Inc., arrives after a break during a House Energy and Commerce Committee hearing in Washington, D.C., U.S., on Wednesday, Sept. 5, 2018. Republicans pressed Dorsey for what they said may be the “shadow-banning” of conservatives during the hearing. Photographer: Andrew Harrer/Bloomberg via Getty Images

CEO do Twitter defende banimento de Donald Trump: “Foi a decisão certa”

Jack Dorsey também voltou a falar de sua paixão por bitcoins para defender um modelo decentralizado de internet; enquanto isso, Snapchat confirmou bloqueio permanente do presidente

por Pedro Strazza

Enquanto Donald Trump vê aprovado mais um processo de impeachment sobre seu governo, o CEO do Twitter, Jack Dorsey, usou sua conta na rede social no fim da noite da última quarta (13) para enfim se pronunciar sobre o banimento do atual presidente dos Estados Unidos da plataforma.

O tom do longo fio de tuítes escritos pelo executivo foi bem mais sóbrio do que o esperado talvez pelos apoiadores do presidente, porém. Embora escreva logo no início que acredita que “esta tenha sido a decisão certa para o Twitter”, Dorsey também começa dizendo que não celebra ou sente orgulho da ação tomada pela empresa contra Trump. “Ter que banir uma conta tem ramificações reais e significativas” afirma o CEO, que também pede por uma “reflexão” da companhia sobre sua operação e ambiente; “Enquanto há exceções claras e óbvias, eu acredito que um banimento no fim é um fracasso nosso de promover uma conversa saudável”.

O executivo também diz no fio que as ações tomadas contra o presidente “fragmentam” e “dividem” a esfera pública ao “limitar o potencial de clarificação, redenção e aprendizado” das discussões, além de confirmar que a media estabelece um precedente problemático ao reforçar “o poder de um indivíduo ou uma corporação sobre parte da esfera pública global”.

Tudo isso não esvazia a importância do bloqueio a Trump, ao mesmo tempo. Dorsey comenta que o Twitter enfrentou “circunstâncias extraordinárias e insustentáveis”, algo responsável por forçar a plataforma a “focar todas as ações na segurança pública”. Ele ainda escreve com todas as palavras que “Danos offline como resultado de discursos online são algo demonstrativamente real”, acrescentando que isso “é o que conduz as políticas e aplicações” do Twitter acima de tudo.

Mas o mais interessante da declaração é que a partir de certo ponto Dorsey resolve fundir a discussão do banimento de Trump com o que em suas próprias palavras é sua “paixão por bitcoin”. Depois de fazer críticas ao modelo econômico atual da internet e escrever frases como “Uma companhia tomar uma ação executiva para moderar a si mesma é diferente de um governo removendo acesso, mas pode soar muito parecido”, o CEO retoma o papo sobre a criptomoeda para refletir seu modelo decentralizado.

“A razão pela qual eu tenho tanta paixão pela bitcoin é por causa do modelo que demonstra: uma tecnologia fundacional da internet que não é controlada ou influenciada por qualquer indivíduo ou entidade. Isto é o que a internet precisa ser, e com o tempo mais ela será” diz Dorsey, antes de lembrar da Blue Sky que é a iniciativa do Twitter para a criação de um modelo decentralizado similar em sua plataforma.

Enquanto Dorsey se enrola um pouco para defender a ação de sua empresa, outras redes sociais vão se unindo no movimento de banir Trump de suas plataformas. É o caso do Snapchat, que também na quarta anunciou o bloqueio permanente do presidente de seu aplicativo após confirmar uma suspensão em caráter indeterminado. Ao The Verge, a companhia escreve que tomou a decisão “No interesse da segurança pública e baseado em suas tentativas de espalhar desinformação, discursos de ódio e incitar violência, os quais claramente violam nossas políticas”.

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