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“São pessoas reais lidando com situações fantásticas”: criador de “Kid Cosmic” fala sobre nova animação da Netflix

Conhecido por criar "As Meninas Superpoderosas", Craig McCracken conta ao B9 como foi produzir seu primeiro trabalho para a plataforma de streaming

por Soraia Alves

Mirando na diversificação cada vez maior do seu catálogo de produções originais, em 2018 a Netflix anunciou o desenvolvimento de seis projetos com nomes de peso do universo das animações, incluindo Nora Twomey, indicada ao Oscar na categoria de melhor animação por “A Ganha-Pão”, e Craig McCracken, criador de “As Meninas Superpoderosas“, “A Mansão Foster para Amigos Imaginários” e “Galáxia Wander”. Agora em fevereiro, a produção de McCracken estreia na plataforma trazendo uma história de “pessoas reais lidando com situações fantásticas”, como explica o criador em entrevista ao B9.

A sinopse de “Kid Cosmic” mostra as aventuras de um garoto (Kid) que mora com seu avô (Papa G) em uma cidadezinha no deserto. Seu sonho de ser herói vira realidade quando ele descobre cinco pedras cósmicas do poder em uma espaçonave, e forma uma equipe inusitada para impedir que alienígenas tentem recuperar as pedras e dominar a Terra. Novamente, o universo da ficção científica está presente em um trabalho de McCracken, mas dessa vez também há muito da rotina da vida de pessoas comuns. “Eu gosto da ideia de contar a história de uma criança real se tornando um herói”, diz o animador. “Queria retratar um garoto real com grandes fantasias sobre ser um herói. Mas a realidade do que isso significa é muito mais desafiadora. Eu meio que queria explorar as experiências disso e focar em uma história de um personagem real”, explica.

O desenvolvimento de toda a animação foi feita a partir da criação do personagem principal. Craig McCracken conta que sua intenção era conseguir mesclar realidade e ficção nos traços da animação: “Eu queria me basear em um estilo de desenho animado que fosse mais caricatura, mas que ainda assim você poderia ver como pessoas reais e táteis”.

O processo de criação também contou com uma busca por inspiração nos desenhos que o animador consumia quando criança: “Comecei a olhar para alguns dos meus quadrinhos favoritos de quando eu era criança, especialmente ‘Tintim’ de Hergé, como se eles tivessem um estilo de design que mesmo sendo desenho, ainda parece realista, parece o nosso mundo. Então eu me voltei para esse tipo de desenho animado europeu. Apenas para ajudar a inspirar o visual do programa”, conclui.

Quem já viu a estética de “Kid Cosmic” pode ter lembrado do trabalho de outro cartunista, Jamie Hewlett, conhecido por desenvolver o projeto gráfico da banda Gorillaz. McCracken diz que é um grande fã de Hewlett, e que eles gostam do mesmo tipo de desenho animado e dos mesmos artistas, como Hank Ketcham. Portanto, as semelhanças são naturais: “Acho que nossas inspirações de cartoon vêm do mesmo material de origem. Estamos bebendo da mesma fonte no que diz respeito às nossas inspirações artísticas. Então acho que definitivamente existem semelhanças visuais“, comenta o animador, que ainda explica a diversidade apresentada em sua equipe de heróis: “Eu só queria montar uma equipe de super-heróis com uma ampla gama de pessoas aleatórias. Um garoto, uma adolescente, uma bebê, um velho e um gato, tudo apenas é aleatório”.

Essa é a primeira vez que McCracken produz uma animação em série, formato bem diferente de suas produções anteriores. Para ele, o maior desafio nessa adaptação foi manter uma história consistente ao longo dos 10 episódios de aproximadamente 22 minutos: “Geralmente quando você está fazendo episódios aleatórios, eles meio que são independentes, e podem parecer diferentes um do outro. Mas para a série foi um grande desafio fazer como se fosse basicamente um grande filme dividido em capítulos. Portanto, o desafio foi tentar fazer um filme com uma escrita e uma narrativa consistentes, mesmo que tudo tenha sido feito por vários artistas e escritores“.

Apesar do projeto ter sido anunciado em 2018, grande parte de “Kid Cosmic” foi desenvolvida durante a pandemia de Covid-19 e, como tudo no mundo, teve seu processo de produção afetado por isso. “Todos nós estávamos trabalhando de casa. Porém, em muitos aspectos da produção, precisamos recorrer a fornecedores externos”, explica Craig, “Quando terminamos, nós tivemos que descobrir como faríamos a mixagem do programa remotamente”. Nesse aspecto, o artista ressalta o apoio da Netflix para facilitar todo o processo, que incluiu o compartilhamento de arquivos gigantes de animação com o estúdio no Canadá: “Eles são arquivos realmente grandes que precisam ser compartilhados. E a maioria dos estúdios não tem um servidor pelo qual essas coisas possam rodar. Mas a equipe de suporte técnico da Netflix foi incrível. Eles forneceram computadores às pessoas, e nós elaboramos um sistema para fazer tudo. Mas definitivamente atrasou a produção por alguns meses“, finaliza.

Apesar dos contratempos, o animador ressalta que “a qualidade não diminuiu, é como se o compromisso de todos em fazer um bom trabalho permanecesse o mesmo”. Sua única preocupação parece ser com a diversão do público, já que dessa vez a equipe toda não pode se reunir para ter esse feedback ao vivo antes do lançamento. “Assistimos os episódios juntos pelo Zoom. Mas não é a mesma coisa de estar na sala e ouvir as pessoas rirem”.

“Kid Cosmic” estreia globalmente no próximo dia 02/02.

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