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Google x Austrália: empresa ameaça remover ferramenta de busca graças a projeto de lei do país

Diante do posicionamento do governo australiano, Google já bloqueou sites de notícias australianos de seus resultados para 1% dos usuários locais como "experimento"

por Soraia Alves

O Google está cogitando bloquear sua ferramenta de busca na Austrália como uma espécie de retaliação ao novo projeto de lei do país, que procura regulamentar a relação entre os meios de comunicação e as gigantes da internet. Criado pela Comissão Australiana de Competição e Consumidor (ACCC), o novo código de conduta é obrigatório para plataformas de tecnologia como Facebook e Google, e exige que as gigantes digitais paguem às mídias de notícias para exibir seus conteúdos.

O projeto de lei, que originalmente estava previsto para ser finalizado em novembro do ano passado, também exige que as empresas avisem com antecedência os meios de comunicação sobre qualquer mudança nos algoritmos que afetariam as classificações de conteúdo, além de favorecer o conteúdo de notícias de fontes originais nos resultados da página de pesquisa e compartilhar dados com empresas de mídia.

É claro que as empresas de tecnologia não gostaram nada da proposta australiana, mas reagiram de formas bem diferentes durante a audiência no Senado para debater o projeto nesta sexta-feira, 22/01. Enquanto o Facebook pediu ao país um período de carência de pelo menos 6 meses para organizar as negociações com os meios de comunicação, o Google prefere deixar o mercado australiano a ter que se adaptar à nova realidade: “Se esta versão do Código [de mídia] se tornasse lei, não teríamos escolha real a não ser parar de disponibilizar a Pesquisa do Google na Austrália“, disse Melanie Silva, vice-presidente do Google para Austrália e Nova Zelândia.

O governo australiano, por sua vez, se mostra indiferente às ameaças do Google. Em resposta à fala de Melanie Silva, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison respondeu que “a Austrália é quem estabelece as regras do que pode ser feito na Austrália. É o nosso Parlamento que decide. Pessoas que desejam trabalhar dentro dessa estrutura na Austrália são bem-vindas. Mas não cedemos a ameaças”.

Diante do posicionamento do país, o Google já começou a agir. A empresa bloqueou sites de notícias australianos de seus resultados de pesquisa para cerca de 1% dos usuários locais, explicando que era um experimento para testar o valor dos serviços de notícias australianos.

Facebook e Google negociam o código de conduta com o governo australiano desde dezembro de 2019. O país quer ser o primeiro a forçar as duas plataformas de tecnologia, que absorvem a maior parte da receita de publicidade digital do mundo, a pagar pela exibição de conteúdo de notícias. Tal medida, obviamente, pode ter um efeito cascata em todo o mundo.

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