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Depois de 69 anos, Cabeça de Batata ganha identidade de gênero neutra

Ideia é permitir que as crianças tenham mais possibilidades de projetar a realidade de sua família enquanto montam o boneco, que agora trará itens femininos e masculinos em todo o produto

por Pedro Strazza

Depois de 69 anos fazendo a alegria das crianças, o Senhor Cabeça de Batata vai passar por um rebranding que inclui a perda do “Senhor” do nome. A ideia da Hasbro, segundo a Fast Company, é desvincular o personagem de noções tradicionais de gênero e permitir que as crianças possam compor famílias com o personagem do jeito que preferirem – seja com casais do mesmo sexo ou com pais e mães solteiros.

Previsto para ser lançada ainda neste semestre, a nova versão do Cabeça de Batata não apenas busca atualizar o produto para o século 21 como dar vazão ao uso do brinquedo pelas crianças para refletir sua própria família. À FC, a gerente geral da Hasbro Kimberly Boyd escreve que “As crianças gostam de vestir o brinquedo e aí brincar com cenários tirados de sua vida”, comentando que “Isto muitas vezes toma a forma de criar pequenas famílias de batata, porque eles estão aprendendo o que significa estar em uma família”.

“A cultura evoluiu. As crianças querem ter a possibilidade de representar suas próprias experiências.” acrescenta a executiva; “A forma como a marca atualmente existe – com o ‘Senhor’ e ‘Senhora’ – as limita quando se trata de pais de mesmo gênero e de estrutura familiar”.

A partir disso, a nova versão da linha trará “cabeças de batata” que não sejam normativos, com os produtos trazendo itens que contemplam versões masculinas e femininas e também não definindo de pronto como homem ou mulher. Assim, as crianças poderão projetas suas noções sobre gênero, sexualidade e família no brinquedo sem qualquer característica pré-determinada da parte dos fabricantes – o que em tese agrada famílias liberais e conservadoras.

O anúncio segue uma onda do mercado de brinquedos para oferecer produtos mais diversos, em especial a linha Fashionistas da Barbie que a Mattel lançou no ano passado com bonecas de diferentes tons de pele, estilos de cabelo e até com deficiências físicas. Se o brincar passa por um ato de projetar no lúdico as experiências reais, faz sentido que os instrumentos para tal abram portas para todos os tipos de representação.

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