As máquinas que mudam nossos hábitos. NOT!

por Bob Wollheim

Assim que foi possível comprar um Kindle no Brasil, aderi. Alguns meses depois, no entanto, no dia que meu iPad chegou, dei o Kindle de presente para uma amiga que estava louca por ele. Mas a turma da Amazon foi tão rápida que tenho mais livros no Kindle no iPad do que no iBooks do Jobs!

A experiência de ler em e-readers, seja no Kindle ou no iPad é, para mim, muito boa. Não me cansa a vista, o peso, que muitos acham excessivo, é semelhante (ou menor) do que muitos livros e meus únicos comentários se referem a ler no sol (tanto o Kindle quanto o iPad não são bacanas para isso) e também ler com o iPad perto de cães levadas como as nossas, que pisoteiam tudo sem cerimônia, me deixa um pouco #tenso.

Ebooks

Por outro lado, a experiência econômica é acachapante. Absolutamente acachapante. Tenho apreço por livros, sempre os achei caros no Brasil, mas gosto de ler e achava que valiam o investimento. Agora eles me parecem um assalto a mão armada. Simples assim. Entendo o processo, os custos, estoque, espaço na prateleira, etc, etc, mas tudo isso me soa agora como um desperdício absurdo se comparado aos novos modelos de negócios dos e-livros. Desculpem-me meus amigos que são do ramo, mas a real é que f….!

Alguns acham que o início da grande virada do Jobs foi o iPod, mas na minha visão foi o iTunes. 1. Ele percebeu que a US$ 0,99 o cidadão (americano) preferia comprar a música a pirateá-la e 2. ele desenhou um plataforma online que conecta tudo. Essa foi a grande sacada. Não é à toa que o iPhone funciona da mesma maneira e agora o iPad também. E é público quanto dinheiro isso tudo está gerando pra Apple.

Se fosse fazer um pouco de futurologia, eu esperaria por notebooks com a mesma filosofia. Enfim, a ver.

Dei essa desviada de leve para argumentar que no caso dos e-books a virada maior não são os e-readers em si, mas a quebra de paradigma da indústria que eles estão forçando. Algo que vem acontecendo já com a web e os jornais e revistas. Mas, se para esses os e-readers (em especial o iPad) podem ser uma oportunidade, pros livros é, sem dúvida, um enorme desafio… pra ser elegante.

Mudam as máquinas, muda a indústria mas nossos hábitos mudam bem mais lentamente… ao menos enquanto não criamos novos hábitos.

Eu, por exemplo, tinha o hábito de “ser pego” por um livro no Ponto da Letras na Ilhabela ou na Fnac de Pinheiros e, assim sem muita explicação nem racionalização, ter na mão bons livros para minha leitura. Me dei muito bem muitas vezes – mais bem do que mal – mas desde que migrei pros e-readers não descobri ainda como “ser pego” por um livro.

Claro que existem milhares de resenhas na web, de vez em quando alguém tuita sobre um livro, mas preciso algo que seja mais próximo a tomar um delicioso café no Ponto da Letras no final do dia e aquele livro olha pra você, você olha pra ele… e é amor à primeira página virada.

Tenho certeza que vai acontecer, mas não descobri ainda como!

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