Imovision anuncia serviço de streaming para abril com mais de 250 filmes de arte

Com opção de locação para não assinantes, plataforma é mais uma aposta de uma distribuidora nacional no mercado de streaming

por Pedro Strazza

Distribuidora com mais de 30 anos de história, a Imovision vai se aventurar pelo mercado do streaming. A companhia anunciou nesta terça (30) o lançamento do Reserva Imovision, que deve começar atividades já no mês de abril com 250 filmes de artes do acervo da empresa.

Por enquanto sem uma data definida de debute ou preço de assinatura definido, a plataforma está prevista para oferecer duas modalidades de consumo, o por assinatura e o de aluguel por título – este último com duração de 72 horas e sem exigência do pagamento de uma mensalidade, ideal para não assinantes. Além de prometer chegar a mil títulos até o fim do ano, a Imovision afirma que já no lançamento o público poderá acessar o Reserva por meio do computador, aplicativo para iOS e Android e smart TVs com sistema Android TV, Apple TV ou Roku.

Entre os títulos já garantidos na estreia, a Reserva Imovision garante 73 longas do Festival de Cannes (incluindo “A Fita Branca”, “A Assassina” e “Love”), 26 do Festival de Berlim (com direito a “A Separação” e “Masculino-Feminino”) e 22 do Festival de Veneza (entre eles o “Amor, Drogas e Nova York” dos irmãos Safdie e “Minha Terra África” de Claire Denis). Haverão também indicados ao Oscar como “Incêndios”, “O Sal da Terra” e “O Beijo da Mulher-Aranha”, mas o mais interessante é que a plataforma vai levar a Imovision a trabalhar pela primeira vez com séries de TV: a companhia confirmou que exibirá com exclusividade a estadunidense “Os Luminares” e a francesa “Mistérios em Paris”, bem como a brasileira “História da Alimentação no Brasil”.

É difícil saber como a plataforma vai se encaixar no competitivo mercado de streaming brasileiro sem a informação do preço, mas o fato é que o Reserva Imovision já chega com uma competição formada mesmo no segmento que se propõe, o do cinema de arte. Com a promessa de oferecer ao público “a chance de ver ou rever obras fundamentais do cinema que emocionam, abrem novas perspectivas e fazem refletir sobre o mundo em que vivemos”, o serviço na prática busca se encaixar numa posição onde o internacional Mubi e os brasileiros Belas Artes À La Carte e a Supo Mungam Plus já disputam por espaço há alguns meses.

É com os dois últimos que o Reserva Imovision mais se parece em proposta, vale apontar, embora os preços sejam radicalmente diferentes – enquanto o do Grupo Belas Artes oferece uma mensalidade de R$ 9,90, o da Supo Mungam Films cobra R$ 23,90 por mês. Como essas duas, o streaming da Imovision chega como uma forma de contornar a atual crise do mercado exibidor de cinema no país pelos efeitos da pandemia, indo de encontro ao público num território que ganhou ainda mais sedimentação no último ano.

A disputa agora é definida pela oferta de títulos. Enquanto lida com os diversos acordos de licenciamento tecidos com outras plataformas nos últimos anos (não é por acaso que “Clímax”, filme da distribuidora atualmente na Netflix, não esteja citado no anúncio de hoje), a Imovision como o Grupo Belas Artes e a Supo Mungam Films trabalha com o difícil dilema de optar por lançar os filmes mais recentes direto no streaming ou seguir firme com o circuito num período de crise.

Neste departamento, o Mubi tem a vantagem de não trabalhar com exibidores, dependendo apenas das idas e vindas dos acordos regionais e globais de distribuição para estrear os filmes. De qualquer forma, a briga no streaming agora é por nichos.

Compartilhe: