COI mantém proibições e atletas não podem fazer referências ao Black Lives Matter durante Olimpíadas de Tóquio
Imagem: Reuters/Paul Childs

COI mantém proibições e atletas não podem fazer referências ao Black Lives Matter durante Olimpíadas de Tóquio

Segundo o comitê, mais de dois terços dos atletas não consideram apropriado protestar durante a competição

por Soraia Alves

Os atletas que participarem das Olimpíadas de Tóquio não poderão fazer qualquer referência ao movimento Black Lives Matter. A decisão vem depois da realização de uma pesquisa organizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a proibição de “manifestações ou propaganda política, religiosa ou racial”. Segundo o COI, mais de dois terços dos atletas não consideram apropriado protestar durante a competição. “Uma maioria muito clara de atletas acha que não é apropriado demonstrar ou expressar suas opiniões sobre o campo de jogo, nas cerimônias oficiais ou no pódio”, disse a chefe da Comissão de Atletas do COI, Kirsty Coventry. “Portanto, nossa recomendação é preservar o pódio, locais de jogo e cerimônias oficiais de qualquer tipo de protesto, ou manifestações ou atos percebidos como tal.”

No começo de 2020, ano em que os Jogos Olímpicos de Tóquio aconteceriam originalmente, o COI divulgou um documento com algumas diretrizes desenvolvidas para que os atletas participem dos jogos “sem nenhuma interrupção divisória“. Essas regras incluem o banimento de qualquer manifestação política, incluindo gestos com significados políticos como ficar de joelhos ou levantar o punho, assim como mensagens políticas escritas em placas, faixas ou outros meios, além do uso de qualquer símbolo “militante” como acessório em roupas.

Essa proibição vale para todos os locais olímpicos. Ou seja, além das disputas esportivas, a regra vigora durante as cerimônias de abertura e encerramento das Olimpíadas, as cerimônias de entrega das medalhas, assim como durante a circulação dos atletas na Vila Olímpica e nos locais de disputa dos jogos. Qualquer manifestação pública que um atleta queira fazer ao longo dos Jogos Olímpicos deve acontecer durante coletivas de imprensa, entrevistas e reuniões de equipe.

Divulgação/NBA

De acordo com o Revolt, o COI ainda não declarou publicamente a punição que os atletas podem enfrentar por violar essa decisão. A ideia é que cada violação será considerada caso a caso.

A pressão para a mudança da regra vem acontecendo desde que ela foi anunciada no ano passado. Com o crescimento do movimento Black Lives Matter após a morte de George Floyd, em maio de 2020, muitos atletas de diferentes modalidades passaram a se manifestar constantemente sobre o assunto, caso de Lewis Hamilton na Fórmula 1, que não possui qualquer tipo de proibição sobre o posicionamento de seus atletas.

Getty Images

Também no ano passado, o presidente do COI, Thomas Bach, afirmou ao The Guardian que os Jogos Olímpicos não devem se tornar uma feira de manifestações: “O poder unificador dos Jogos só pode ser desenvolvido se todos mostrarem respeito e solidariedade uns com os outros. Caso contrário, os Jogos se tornarão uma feira de manifestações de todos os tipos, dividindo ao invés de unindo o mundo”.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio começam no próximo dia 23 de julho.

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