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Imagem: Reprodução/Twitter

UEFA adere às cores do arco-íris, mas mantém veto para o jogo Alemanha x Hungria e diz que “símbolo não é político”

"O arco-íris não é um símbolo político, mas um sinal do nosso compromisso para com uma sociedade mais diversa e inclusiva", disse o órgão em comunicado

por Soraia Alves

Na última terça-feira, 22/06, a UEFA rejeitou o pedido da cidade de Munique para iluminar a Allianz Arena com as cores do arco-íris, símbolo da luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+. O estádio seria iluminado para o jogo da Eurocopa 2020 entre Alemanha x Hungria, como forma de protesto contra uma recente lei aprovada pelo governo húngaro, que proíbe menores de 18 anos de terem acesso a qualquer material com referências à homossexualidade nas escolas.

Segundo o comunicado divulgado pelo órgão regulador do futebol europeu, a decisão seria para manter o esporte longe da política: “Dado o contexto político do pedido – uma mensagem sobre uma decisão adotada pelo Parlamento nacional húngaro -, a Uefa deve rejeitar o pedido”, diz a nota.

O anúncio gerou diversas críticas, inclusive do governo alemão. Segundo o Ministro das Relações Exteriores, Heiko Maas, a decisão da UEFA é equivocada: “É verdade, um campo de futebol não tem nada a ver com a política. Trata-se de pessoas, de igualdade, de tolerância. E por isto a Uefa enviou uma mensagem equivocada”. Já o prefeito de Munique, Dieter Reiter, confirmou que outros locais famosos na cidade serão iluminados com as cores do arco-íris ao longo desta quarta-feira, 23/06. A Anistia Internacional prometeu distribuir 11 mil bandeiras arco-íris aos torcedores que vão ao estádio.

Com a repercussão do caso, a UEFA divulgou um novo comunicado, agora “vestindo” as cores do arco-íris em seu logo. Ainda assim, a organização mantém a decisão de boicotar a iluminação no estádio onde ocorre a partida entre Alemanha e Hungria, e afirma que a bandeira da comunidade LGBTQIA+ não é um símbolo político.

“Hoje, a UEFA orgulha-se de vestir as cores do arco-íris. É um símbolo que incorpora os nossos valores fundamentais, promovendo tudo em que acreditamos – uma sociedade mais justa e igualitária, tolerante com todos, independentemente da sua origem, crença ou gênero.

Algumas pessoas interpretaram a decisão da UEFA de recusar o pedido da cidade de Munique de iluminar o estádio de Munique nas cores do arco-íris para um jogo da Euro 2020 como ‘política’. Pelo contrário, o pedido em si era político, ligado à presença da seleção húngara de futebol no estádio para o jogo desta noite com a Alemanha.

Para a UEFA, o arco-íris não é um símbolo político, mas um sinal do nosso compromisso para com uma sociedade mais diversa e inclusiva”.

O prefeito de Munique reitera que seu pedido foi pensado para mostrar solidariedade à comunidade LGBTQIA+ da Hungria. O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, criticou a proposta da cidade: “Na Hungria, aprovamos uma lei para proteger as crianças húngaras e agora na Europa Ocidental eles estão reclamando disso. Eles querem expressar isso incluindo a política em um evento esportivo, que não tem nada a ver com fazer com a aprovação de leis nacionais.”

Além de Munique, outras cidades da Alemanha prometeram iluminar pontos turísticos e estádios em apoio à comunidade LGBTQIA+. A partida entre Alemanha e Hungria acontece hoje, 23, às 16h.

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