Entrevistando seu próprio pai: Alex Bogusky

Entrevistando seu próprio pai: Alex Bogusky

por Bob Wollheim

Bogusky Alex Bill

Há alguns anos fui convidado pelo amigo Luis Colombini a participar de um livro chamado “Aprendi Com Meu Pai”. Éramos uns 50 convidados e, tendo vivido uma relação tensa com meu pai a vida toda, e ele ainda vivo, achei que deveria ser verdadeiro ao máximo naquelas páginas. Se era para ajudar quem lesse meu relato, tinha que ser real e não uma ode a um pai perfeito, como muitos dos meus companheiros de livro fizeram.

Relatei um dos nossos primeiros momentos sérios de ruptura pai-filho (ao menos para mim tinha sido muito sério) e tentei mostrar como esse momento tinha sido importante para ambos (penso), pois deixou claro que éramos pessoas bem diferentes e que meu futuro seria muito diverso do dele e provavelmente do futuro que ele imaginava para mim e, como, muito depois, anos pra frente, quando publiquei meu livro tive a ideia (uma das coisas que me deixa mais feliz até hoje é não ter deixado de fazer isso) de agradecer meu pai na dedicatória do mesmo: “ao meu pai, que de seu jeito todo especial, tanto me ensinou”.

Nunca conversamos a respeito disso, pena, mas através de minha mãe, soube que ele se emocionou e senti que tinha dito a ele o que precisava ser dito. Foi libertador.

Essa semana me caiu na tela esse vídeo do Alex Bogusky (ex-Crispin Porter + Bogusky) entrevistando nada menos nada mais do que seu próprio pai, Bill Bogusky. De iPad no colo varei o papo que dura mais de uma hora e é recheado de assuntos em torno de design, a profissão do pai de Alex, mas que tem momentos raros e muito emocionantes da relação (sempre tensa, penso eu, se alguém diz que não é, tenho certeza que está mentindo!) entre pai e filho, especialmente se ambos têm uma profissão próxima ou relacionado.

Quantos filhos não vemos totalmente presos aos seus pais, presos ao sucesso, que não conseguem superar, presos ao sonho, que não conseguem se libertar, presos ao peso de pai, que não conseguem tornar mais leve.

Alex e Bill nos levam por uma viagem muito sutil, leve, às vezes pesada na intimidade que se rasga, mas muito intensa e verdadeira ao mesmo tempo.

Em tempos de marketing bombando o Dia dos Pais, o vídeo desse incrível publicitário que, aos 46 anos, resolveu “Smell Flowers” e dar um tempo na propaganda (isso já diz bastante quem é essa cabeça privilegiada) e, mais importante do que qualquer profissão, convidou seu pai para o show e termina dizendo “I love you!” ao invés de “Pai, parabéns, comprei um celular novo para você…” me parece uma ótima provocação.

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