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Imagem: Laurence Griffiths/Getty Images

Seleções de futebol dos EUA terão contratos iguais para homens e mulheres

Oferta foi enviada esta semana às duas associações de jogadores, com a federação garantindo que não haverá acordo sem que ambas as partes concordem

por Pedro Strazza

A federação de futebol dos Estados Unidos anunciou na última quarta-feira (15) que vai começar a oferecer contratos de trabalho iguais às suas seleções nacionais. A proposta de um novo acordo coletivo que englobe tanto a equipe masculina quanto a feminina foram enviadas essa semana às associações representativas correspondentes, garantindo a recusa de um acordo que não permita a oferta igual de compensação financeira aos atletas por sua participação nos compromissos oficiais da delegação.

Em declaração oficial à imprensa, a federação escreve que “acredita firmemente que o melhor caminho adiante para todos os envolvidos e o futuro do esporte nos EUA seja uma estrutura de pagamento único para ambos os times seniores”, garantindo que a proposta vai estabelecer que os jogadores das duas seleções “continuem a ser os melhores pagos” no mundo.

A situação é delicada em especial por conta do fim dos contratos envolvidos. Enquanto o acordo com a união da seleção masculina expirou em dezembro de 2018, o da feminina está previsto para ser encerrado em dezembro deste ano, e em nenhuma das partes houve renovação até o momento. De acordo com o The Guardian, o time feminino, liderado pela estrela Alex Morgan, processa a federação desde março de 2019 por conta de pagamentos desiguais em relação à contraparte masculina, pedindo uma indenização de 64 milhões de dólares por danos.

Em termos financeiros, é fácil perceber a discrepância que a federação agora tenta resolver. A seleção masculina na Copa do Mundo de 2014 recebeu individualmente US$ 55 mil dólares por chegar à fase de grupos, garantindo um adicional coletivo de US$ 4,3 milhões por chegar à fase eliminatória do torneio. A equipe feminina, por outro lado, dividiu US$ 862,5 mil por chegar à edição de 2019, garantindo um adicional de apenas US$ 2,53 milhões por vencer o campeonato – desde antes do início do evento havia a previsão de um bônus por um tour da vitória caso o time chegasse ao pódio, mas o prêmio máximo previsto (e garantido) foi de US$ 350 mil para o coletivo.

Enquanto a federação agora impõe que a seleção masculina concorde com o novo acordo, o fato é que a situação estadunidense espelha a absurda dinâmica do esporte atual. A FIFA atualmente garante US$ 440 milhões para as 32 seleções classificadas para a Copa do Mundo masculina de 2022, com um prêmio de US$ 38 milhões disponibilizado aos campeões; a feminina, por outro lado, oferece um total de US$ 60 milhões às 32 equipes classificadas.

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