SXSW 2022: será que os faraós já conheciam o metaverso? 
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SXSW 2022: será que os faraós já conheciam o metaverso? 

Conversa entre Amy Webb e Greg Daniels revela os limites distantes do assunto do momento entre as Big Tech

por Juliana Vilhena Nascimento

Uma palestra que assisti no primeiro dia de SXSW e me fez fazer mil reflexões e conexões foi de uma dobradinha improvável: a incrível Amy Webb, futurista quantitativa da NYU (que revela no festival seu sempre imperdível relatório anual de tendências) e Greg Daniels, roteirista de comédias como o “Saturday Night Live”, “The Office” e agora da série “Upload”, da Amazon Prime Video

“Upload” é uma comédia distópica. Passada na década de 2030, ela fala sobre um metaverso para a vida após a morte. Parece mórbido? É um pouco. Mas é impressionante como Hollywood – e eu já falei disso antes no B9 – consegue enxergar o futuro às vezes até com mais clareza do que os cientistas e pesquisadores. 

Não é a primeira vez que filmes ou séries falam sobre “digitalizar pessoas” ou “eternizar consciências”. Também não é a primeira vez que ouço falar disso no SXSW: em 2015, Martine Rothblatt explodiu nossos cérebros quando mostrou Bina48, um robô que tinha parte da consciência de sua mulher replicada nele.

Ouvindo Greg falar sobre a série, percebi que ela conversa muito com as “predictions and preparations” que Amy nos apresenta todo ano. Algumas coisas que apareceram na conversa: 

Será que vamos precisar, como os faraós, juntar tesouros e dinheiros pra financiar nossa vida após a morte? A série mostra como os ricos (que moram num hotel estilo suíço, em frente a um lago) vivem de forma diferente dos pobres (que moram no porão, comem refeições patrocinadas, e tem acesso restrito a dados, limitando sua experiência de vida após a morte)

Não há interoperabilidade entre metaversos ainda. Se você e seu amigo forem carregados em metaversos diferentes, não se encontrarão mais. 

Em “Matrix” (outro exemplo hollywodiano de metaverso), era possível fazer “upgrades de habilidades” em segundos. Já pensaram como seria incrível aprender um novo idioma em um piscar de olhos? 

E afinal, existe privacidade quando vivemos nessa realidade alternativa? 

Apesar da timidez, Greg deixou uma mensagem clara: as pessoas não deveriam ter seu futuro (ou a vida após a morte biológica) somente em função de sua renda e riqueza. Vamos torcer pra que o capitalismo consciente se estabeleça em tempo!

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