SXSW 2024: como o paradoxo da escolha matou a Era de Ouro da TV • B9

SXSW 2024: como o paradoxo da escolha matou a Era de Ouro da TV

Ao longos dos anos, festival em Austin foi testemunha do auge e queda dos investimentos em conteúdo original

por Carlos Merigo
Capa - SXSW 2024: como o paradoxo da escolha matou a Era de Ouro da TV

O SXSW tem sido uma manifestação vívida das ascensões e declínios da chamada Era de Ouro da TV. O festival, durante as últimas décadas, ofereceu um palco para o termo “Peak TV”, que descreve a explosão de séries originais desde o início dos anos 2000 até seu auge em 2022.

Lá por 2014 e 2015, meus primeiros anos em Austin, era notável o domínio dos grandes estúdios e produtoras. Já dividindo o holofote com a Netflix, marcavam presença no festival não só na programação, mas também nas ativações e publicidades criativas espalhadas pela cidade. Ao longo da última década, inúmeras produções viram no SXSW um trampolim para o sucesso ou uma chance de dialogar com um público early adopter.

Produção de séries originais caiu 20 % nos últimos dois anos

Mas o cenário do entretenimento mudou e isso foi ficando claro a cada nova edição do festival, que viu pouco a pouco a presença das grandes marcas diminuir. Pra deixar claro: o SXSW continua sendo ponto de partida importante para muitas produções relevantes. Porém, o orçamento para divulgação e promoção diminuiu, bem como espaço físico ocupado pelas ativações.

Chegamos a 2024, e players como Paramount+, Netflix e Prime Video ainda apostam no festival, mas nada comparado aos anos anteriores. A HBO, antes uma gigante por estas bandas, sumiu do mapa. Justo a marca que sempre esteve no topo do interesse do público por aqui, fazendo filas dobrarem quarteirões para entrar em experiências de “Game of Thrones” e “Westworld”, por exemplo.

Mesmo quem ficou optou por focar na promoção de um único título. A Netflix botou tudo em “O Problema dos 3 Corpos”. Prime Video, que em 2023 divulgou todo o catálogo de originais para o ano, desta vez escolheu “Fallout” para apostar todos os dólares de marketing.

A morte da Peak TV

Tyler Aquilina, da plataforma de inteligência da Variety, em sua apresentação “The Death of Peak TV — And What It Means for Hollywood”, ilustra essas mudanças com números: o recuo na produção de séries originais é um sinal claro do fim de um excedente insustentável, prenunciando transformações significativas em Hollywood. O investimento minguado no SXSW é apenas sintoma da queda de 20% na produção de séries originais nos últimos dois anos.

Desde o início dos anos 2000, a TV a cabo se esforçava por originalidade para fisgar espectadores, desencadeando uma concorrência acirrada de redes produzindo cada vez mais. No digital, a Netflix, com seu sucesso em conteúdo original, acirrou a chamada “guerra do streaming”, intensificando a competição e o volume de produção. E assim se seguiram duas décadas de um mercado multibilionário despejando conteúdo na audiência até ela não dar mais conta de consumir.

Gráfico: Variety VIP+

Nunca é demais lembrar que foi justamente essa corrida do ouro que nos deu alguns clássicos da TV, inclusive porque as emissoras tinham dinheiro e vontade de arriscar, trazendo à vida títulos que, hoje, talvez não saíssem do papel. Mas a festa acabou e o futuro deve ser mais conservador.

O alerta soou em 2022, com a Netflix registrando a primeira queda de assinantes. Os investidores, após anos de “generosidade”, começaram a puxar o freio, ponderando crescimento de assinantes versus gastos com conteúdo. Resultado: a quantidade de shows originais no streaming diminuiu de quase 1000 em 2022 para menos de 800 em 2023. A Disney, por exemplo, que é a maior gastadora tradicionalmente, deve manter seu orçamento estável para entretenimento em geral.

Gráfico: Variety VIP+

Mesmo a Netflix, que segue soberana, cortou 22% da sua produção de conteúdo. Gigantes tech como Amazon e Apple também estão reexaminando seus gastos com streaming, como consequência de um desempenho comercial abaixo do esperado, seja em novos assinantes quanto em audiência. Lotaram seus catálogos com título de prestígio e investimentos milionários que “ninguém” está vendo.

Os gastos globais com conteúdo se estabilizaram em cerca de 243 bilhões de dólares em 2023, com um investimento estagnado no entretenimento. A exceção? Esportes. Não á toa, todas as empresas citadas até aqui reduziram seus gastos em tudo, menos em licenciar transmissões esportivas. Disney, Netflix, Amazon, Apple, Paramount, (HBO) Max, todas tem uma competição ou liga pra chamar de sua.

Tyler Aquilina utilizou até dados das diárias de filmagem na cidade Los Angeles para mostrar como a produção está desacelerando. Tanto pela diminuição geral na produção quanto pela migração dos sets para outras regiões do planeta, mais em conta para filmar.

Gráfico: Variety VIP+

Conteúdo para as massas

Mas as mudanças não vem só na quantidade. A estratégia de conteúdo dos serviços de streaming caminha cada vez mais para blockbusters baseados em propriedades intelectuais existentes. São os conteúdos considerados “quatro quadrantes”, capazes de ter amplo apelo entre diferentes demografias. Com isso, menos dramas e comédias voltados para adultos recebem luz verde, e os que estão no ar enfrentam dificuldades para ter novas temporadas aprovadas. Lembra o que eu falei sobre risco? Esquece aparecer um novo “Breaking Bad” tão cedo.

A era do segredo em torno das audiências de streaming acabou. Além das análises de institutos de pesquisa, a Netflix passou a revelar a quantidade de horas que seus conteúdos são assistidos. Isso não ocorre apenas por benevolência, mas também porque novos acordos contratuais exigem o compartilhamento de dados e relatórios com as partes envolvidas.

Próximo “Round 6” deve vir da Índia, aposta executivo da Variety

Parece ser o mínimo a fazer, é claro, mas essas medidas impactam a maneira como os programas são avaliados e remunerados. O novo é voltar a um modelo de produção mais tradicional, com temporadas mais longas e episódios semanais para manter o público engajado. É um modelo bom para o mercado de trabalho, inclusive, pois deve empregar mais roteiristas por mais tempo.

Não por coincidência, o conteúdo não roteirizado – também conhecido como reality shows – passou a ganhar cada vez mais espaço nas planilhas orçamentárias das plataformas de streaming. Eles são populares, atingem grande audiência e são bem mais baratos de se produzir do que aquela série de prestígio.

O executivo da Variety conta ainda a indústria está testemunhando um aumento na dependência de conteúdo internacional, com produções mais acessíveis do exterior e estratégias de localização focadas em mercados menos saturados como África e Índia. Aliás, Tyler Aquilina arriscou prever que o próximo “Round 6” virá da Índia.

Neste cenário de transição, o que a próxima década reserva para o entretenimento televisivo é uma questão aberta. Se a abundância de conteúdo parecia uma benção, a indústria, e nós, consumidores, agora reconhecemos que o excesso traz seus próprios dilemas. E em meio ao paradoxo da escolha, a busca por uma curadoria mais enxuta e significativa tornou-se uma necessidade tanto para a sanidade do público quanto para a sustentabilidade da própria indústria.

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