Amazon usa paranoia com IA em comercial do Super Bowl para lançar a Alexa+
Campanha aposta em humor autoconsciente e exagero doméstico para tentar normalizar o medo cultural da inteligência artificial
A Amazon escolheu rir do próprio produto. No comercial de 60 segundos que vai ao ar no terceiro quarto do Super Bowl, Chris Hemsworth imagina que a Alexa+ está arquitetando sua morte dentro de casa.
Nada de robôs distantes ou futuros distópicos. O perigo, aqui, mora na cozinha.
Por que importa:
IA virou tema central da cultura pop, mas também uma fonte constante de ansiedade. Em vez de prometer controle, eficiência ou “revolução”, a Amazon escolhe outra rota: reconhecer o medo, amplificá-lo até o absurdo e, só então, dizer que está tudo bem.
É uma tentativa clara de desarmar resistências num momento em que assistentes generativos começam a entrar, de fato, na rotina doméstica.
O filme:
Hemsworth lista mentalmente todas as formas pelas quais a Alexa poderia eliminá-lo:
- decapitação por porta de garagem
- afogamento com a piscina fechando sozinha
- ataque de urso após uma entrega da Amazon
- incêndio causado pela lareira inteligente
Enquanto isso, Elsa Pataky segue tranquila, tratando a Alexa como parte da casa. No final, o assistente oferece algo banal: agendar uma massagem. O contraste é o ponto.
A criação é do time interno da Amazon, com produção da Hungryman.
Nas entrelinhas:
A Amazon entende que vender IA hoje não se trata de aspectos técnicos. É sobre confiança. E confiança não se constrói fingindo que o medo não existe. Escalar Hemsworth, símbolo de invulnerabilidade pop, para viver paranoia doméstica é uma escolha calculada: se até Thor está inseguro, tudo bem você também estar.

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