A mordida constrangida do CEO do McDonald’s virou guerra entre fast foods
Chris Kempczinski chamou o Big Arch de "o produto", mordeu 2% do sanduíche e prometeu comer o resto fora da câmera. Rivais fizeram fila para responder.
O vídeo já circula há alguns dias, mas as consequências continuam se multiplicando. Quando o CEO do McDonald’s, Chris Kempczinski, postou uma degustação do Big Arch — novo hambúrguer da rede — o que deveria ser momento de marketing virou aula pública sobre o que acontece quando um executivo de US$ 20 milhões ao ano tenta vender um sanduíche de US$ 9.
A mordida minúscula, a linguagem corporativa (“o produto”, “essa coisa”) e a promessa de terminar o hambúrguer fora da câmera fizeram o resto. O músico Garron Noone entregou a frase definitiva: “Esse homem não come McDonald’s.”
Por que importa: O vídeo se tornou estudo de caso em tempo real sobre o risco de colocar CEOs na frente da câmera. Segundo a Datassential, houve cerca de 5 mil menções ao Big Arch entre 1º de fevereiro e 1º de março. Nas menções só ao hambúrguer, o sentimento líquido positivo foi de 56%. Quando o CEO entra na conversa, cai para 36%. Vinte pontos de sentimento evaporados por uma mordida.
A onda de respostas: Os concorrentes farejaram sangue e transformaram o constrangimento em campanha própria:
- Burger King: O presidente Tom Curtis publicou corte em que dá uma grande mordida num Whopper, deixando maionese no rosto. “A única coisa faltando. Um guardanapo.” O vídeo fez 2,8 milhões de views no TikTok em menos de 24 horas. No X, surgiu o termo “burgermogged” — gíria para quando alguém demonstra superioridade sobre outro.
- Wendy’s: O presidente Pete Suerken foi direto para a chapa. Preparou um Baconator do zero, mordeu com gosto e soltou o veredito de boca cheia: “That’s a burger.” Guardou a alfinetada para o milkshake: “Nossas máquinas estão sempre funcionando” — referência ao problema crônico das máquinas de sorvete do McDonald’s.
- A&W Canada: O porta-voz Allen Lulu replicou o formato do vídeo de Kempczinski com o Teen Burger (C$ 4,99) e fechou convidando: “Nos vemos na A&W, Chris.”
O Big Arch no mundo real: Enquanto os executivos brigavam na internet, o hambúrguer chegou aos restaurantes americanos em 3 de março. As primeiras avaliações são majoritariamente positivas.
O paradoxo do CEO como garoto-propaganda: A Adweek publicou análise que enquadra o caso numa tensão estrutural: quanto mais alto o executivo sobe, mais distante fica do produto que vende. A diferença entre CEO que funciona como embaixador e CEO que vira meme é uma só: o consumo precisa ser incondicional.
Os números que importam: A PeakMetrics analisou posts em X, Reddit, TikTok, Instagram, Bluesky, Facebook e YouTube entre 3 de fevereiro e 3 de março. O tom dominante é humor, não raiva. Posts humorísticos ou de zoeira representaram 35% da atividade. Como a empresa pontuou: “Embora manchetes descrevam essas situações como backlash, a maioria do engajamento vem de pessoas participando da piada, não expressando raiva.”
A real: O McDonald’s pode acabar rindo por último. O Big Arch está recebendo críticas positivas dos food reviewers que realmente importam para a decisão de compra. O vídeo do CEO gerou mais awareness para o produto do que qualquer campanha planejada teria conseguido.
As vendas do McDonald’s nos EUA cresceram 6,8% no quarto trimestre. As do Burger King, 2,6%. O CEO que deu a mordida constrangida ainda é o CEO que está ganhando a guerra dos números. Mas na internet, ninguém lembra do balanço trimestral. Lembram da mordida.

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